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A militância ecológica não pode divorciar-se da luta social

A militância ecológica não pode divorciar-se da luta social.” Eduardo Galeano, comentando sobre Chico Mendes

Um Sindicato ligado às lutas sociais e ambientais há 59 anos

Kleytton Morais apresenta a história  de lutas e conquistas importantes do Sindicato dos bancários. Essa trajetória faz do Sindicato referência enquanto uma das categoria mais organizadas e fortes nacionalmente. Seu texto é uma bela e merecida homenagem à entidade sindical e reafirma o compromisso de lutar por justiça, inclusão e contra toda e qualquer forma de discriminação, intolerância e injustiça

O Sindicato dos Bancários de Brasília completou 59 anos no dia 23 de novembro. É uma história repleta de lutas e conquistas importantes, que faz dos bancários referência enquanto uma das categorias mais organizadas e fortes nacionalmente, atuando no enfrentamento de pautas como a retirada de direitos dos trabalhadores e o abandono da soberania nacional, incluindo aqui o ponto da sustentabilidade e questões ameaçadas pelos projetos de privatizações, por exemplo, dos bancos públicos.

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Em 2020 o Sindicato comemora 59 anos e também um segundo marco histórico: os 40 anos da retomada democrática da entidade para as lutas da categoria, depois que ficou 16 anos sob intervenção da ditadura militar e seus prepostos. A caminhada do Sindicato das bancárias e dos bancários até aqui nos ensina a importância desse sujeito histórico e coletivo tanto para a categoria bancária quanto para a sociedade do Distrito Federal e do Brasil. Em 27 de janeiro de 1961, os funcionários transferidos a Brasília, muitos com militância sindical, criaram, *sob a liderança memorável do companheiro
Adelino Cassis, a Associação dos Bancários de Brasília, que se transformou em Sindicato no dia 22 de novembro, e por ele presidida*.

A organização sindical dos bancários de Brasília surgiu junto com a capital. Este fato, reforçado pela atuação firme das direções e por escolhas da base fizeram com que a luta da categoria se entrelaçasse com a luta da cidade, do DF. Mas não somente. Por aqui passaram pautas salariais, melhorias das condições de trabalho, jornada legal, valorização do salário mínimo, defesa ambiental, entre outras tantas, e a participação na vida política, vivenciada em movimentos como Diretas Já, Fora, Collor, e contra o golpe jurídico-parlamentar de 2016.

O Sindicato já nasceu combativo e de luta. Em junho de 1962, os bancários de Brasília fizeram a primeira paralisação, uma greve histórica que começou no dia 2 daquele mês e durou 17 dias, para exigir o cumprimento do acordo salarial do ano anterior. Em 6 de dezembro de 1962, participaram da greve nacional de 24 horas dos bancários pela manutenção do 13º salário, que estava ameaçado de extinção por causa de um projeto de lei que tramitava no Congresso Nacional.

Os bancários e bancárias continuaram participando das crescentes mobilizações da categoria e da classe trabalhadora em todo o país, até que veio o golpe civil-militar de 1º de abril de 1964, que interveio no Sindicato, destituiu a diretoria, perseguiu e prendeu vários dirigentes, inclusive o presidente Adelino Cassis, que foi demitido do Banco do Brasil e teve os direitos políticos cassados por 10 anos.

Como aconteceu com praticamente todo o movimento sindical, o regime militar passou a nomear juntas interventoras para dirigir o Sindicato dos Bancários. A partir de 1968, permitiu a realização de “eleições” na entidade, com chapa única, formada pela direção da Contec com bancários que apoiavam o golpe e eram subservientes ao governo e aos banqueiros. Apesar das perseguições e da repressão, aos poucos os bancários começaram a se reorganizar, inicialmente quase de forma clandestina. E, em 1974, a Oposição Bancária, liderada por Augusto Carvalho, disputou e perdeu a eleição do Sindicato de Brasília.

É a partir daí que surge o Movimento Bancário de Renovação Sindical (MBRS), que começa a desenvolver um trabalho de organização e de sindicalização da categoria. Depois de várias derrotas, o MBRS finalmente vence a eleição de 1980, retomando o Sindicato para a categoria bancária, 16 anos após o golpe militar.

Vanguarda das lutas

O Sindicato dos Bancários de Brasília tornou-se assim um dos primeiros do país a ser reconquistado pela organização e luta dos trabalhadores, em plena ditadura militar. A partir daí, os bancários do DF sempre estiveram na vanguarda das lutas não só da categoria, mas de toda a classe trabalhadora. Os bancários de Brasília foram fundamentais na criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), assim como Chico Mendes, e das organizações que construíram a unidade nacional da categoria bancária a partir da década de 1980, que tem como pilar central a Contraf-CUT.

A importância dessa redemocratização vai além da pauta local ou de um interesse corporativo. É a luta de todos os trabalhadores, que se inspiram, buscam força em outros exemplos nacionais para voarem coletivamente. É o momento da retomada e do crescimento do movimento sindical. O Chico Mendes nunca fez voo solo. Sempre colocou a luta dos seringueiros como essencial para a preservação da floresta, de um estilo de vida, de um grupo que deveria ser visto e valorizado, como parte de uma identidade nacional. Chico organizava os atores da floreta e os conectava com o cenário nacional.

No momento da redemocratização do Sindicato, tivemos participação no primeiro Encontro Nacional dos Seringueiros, ocorrido em Brasília em 1985, com a presença do grande companheiro Chico Mendes. Como um importante sindicalista, fundador do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri. Também por iniciativa dele, aconteceu o Encontro Nacional de Seringueiros e, consequentemente, o Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), instituição que presidiu. Chico esteve sempre associado ao Sindicalismo, impulsionando nossa luta.

Nesse quase sexagenário aniversário, queremos comemorar os valorosos préstimos que a entidade proporciona, e tão importante quanto, reafirmar o compromisso histórico com a pauta dos direitos da classe trabalhadora, da defesa das instituições públicas e, nessa quadra em que a barbárie se apresenta absurdamente e sem qualquer modéstia, defender a vida enquanto valor supremo e inalienável. Isso significa lutar por justiça, inclusão e contra toda e qualquer forma de discriminação, intolerância e injustiça.

Assim como o companheiro Chico Mendes nos legou!


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Leia a Revista Xapuri – Edição Nº 81


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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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