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Amazônia: Bem comum da Terra e da Humanidade

Amazônia: Bem comum da Terra e da Humanidade

A Amazônia é um bem comum da Terra e da humanidade. O Brasil pode ter a administração, que é muito ruim. Mas ele não é dono. O Emmanuel Macron, presidente da França, foi o único que entendeu isso…

Por Leonardo Boff

A Amazônia é um bioma muito rico e, ao mesmo tempo, extremamente frágil. A vegetação não sobrevive do que retira do chão, mas do entrelaçamento entre as raízes das plantas, dos nutrientes presentes nas fezes dos animais, da umidade que cai das folhas, já que o solo ali, de 30 a 40 centímetros para baixo, é pura areia. Se a gente não cuida, a região pode virar uma espécie de Saara.

Devastar a maior floresta tropical do mundo significa acabar com uma imensa reserva de água doce e com um importante filtro do equilíbrio climático global, que garante as chuvas numa área que vai desde o Centro-Oeste brasileiro ao norte da Argentina. Isso, para citar o mínimo. Então não estamos falando de uma tragédia localizada, que afetaria apenas o mundo periférico, mas toda a civilização.

Entramos numa fase planetária, que exige uma governança mais global, capaz de resolver problemas relacionados à água, ao calor, a tudo que sustenta a vida. A Amazônia, portanto, não é um problema brasileiro, mas do mundo todo.

https://xapuri.info/para-relembrar-o-discurso-de-posse-de-gilberto-gil-em-2003-cultura-e-isso/

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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