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Amazônia, força feminina

Amazônia, força feminina

Amazônia, força feminina

Amazônia é feminina. Reza a lenda que Amazônia vem da palavra “amazona” com alusão a histórias sobre a tribo de índias guerreiras que habitavam a floresta. A semelhança estava entre seus costumes com os das guerreiras mitológicas descritas pelos gregos antigos…

Por Fe Cortez

A Floresta! Substantivo feminino. Que força! Estar ali foi o que me fez entender na pele sobre o significado de abundância, da importância de vibrar nessa energia. Tô falando de física quântica, da teia da vida, de relações não visíveis, mas extremamente poderosas, que podemos dizer ainda espirituais. O sagrado feminino. A força ancestral das águas! A minha paixão pela natureza é, definitivamente, uma ligação espiritual e ancestral.

A floresta cura. Ela oferece uma medicina tão complexa que ainda não fomos capazes de decodificar nem uma ínfima parte. Medicina sob a forma de remédios e plantas, sob a forma de energia que cura e sob a forma de rituais e uso de plantas de poder por parte de seus povos originários, os indígenas. Eu presto muitas reverências aos povos indígenas, eles são de uma sabedoria que a gente tá bem longe de compreender. Recorro a eles e sua medicina quando preciso encontrar meu eixo, quando me sinto desequilibrada, em meio a muito movimento e quando quero me curar das enfermidades da vida. É medicina pro corpo, pra mente e pra alma.

A floresta voa! Além dos seus rios de água escura e aveludada, a região amazônica forma poderosos rios voadores. Eles são massas de vapor de água, responsáveis pela maior parte das chuvas do planeta, que são carregadas mundo afora através das correntes de ar. Sem eles, não temos água, sem água não temos vida.

A floresta nutre. Ela é plena. Tudo que ela produz pode ser reaproveitado por ela mesma. Ela não cria nada que não possa fazer parte do seu ciclo natural e dinâmico. Quem faz isso é o homem. Ela, no seu tempo e com sua sabedoria, encaminha tudo pro seu lugar, sua morada, sua função. Os produtores locais também conseguem acessar a quantidade necessária dos insumos que precisam pra gerar receita e, em contrapartida, preservar a floresta. É sistêmico e sustentável. Eu não como carne vermelha desde a última vez que visitei a Amazônia. Eu vi o desmatamento que o agronegócio produz. É assustador e inadmissível e não faz sentido derrubar a floresta que é vida para comer bicho morto.

A floresta é mágica. Simples e complexa. Completa e autossuficiente. E esse contato com ela é o que nos fortalece. Somos natureza. Meu ritual é reverenciá-la sempre, pedir para que ela me ajude e me dê energia, além de agradecer por todas as bênçãos que ela generosamente nos oferece. E isso funciona. Pode botar fé que funciona! Em troca, ela só pede pra que a gente cuide dela de volta e dê amor. Puro amor.

A floresta resiste. Estive lá pela primeira vez em 2015, há quatro anos, numa vivência profunda e transformadora através do @reconexaoamazonia. Me senti tão pequena e tão parte do todo, uma sensação que só quem penetrou suas matas e sentiu sua potência, reverenciou árvores com mais de cinco séculos de existência pode entender. Porque isso não se entende pelo racional, mas por outros sentidos que nós, humanos, às vezes esquecemos que temos. Meu sonho é de que todos tenham a chance de viver uma experiência como essa. Em 2017, 1 milhão e meio de brasileiros se uniram pra garantir que a floresta ficasse de pé e eu pude ver de perto o potencial que temos ali de gerar riqueza, abundância e prosperidade com ela firme, de pé! Estamos em 2019. No dia 20 de agosto, eu acordei sentindo muitas cólicas, o que não é NADA comum pra mim. Sangrei. Esse foi o dia em que a Amazônia também sangrou. O meu ventre e o ventre da floresta, conectados sim, todos fazemos parte da teia da vida. Você ainda tem alguma dúvida?

Eu, mulher, natureza. Gaia. Mãe terra. Pachamama. Casa. O futuro é feminino! Já!

Fonte: Menos1Lixo

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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