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Escócia: Arqueólogos encontraram antiga bigorna de pedra

Arqueólogos encontraram na Escócia uma antiga bigorna de pedra que preserva as marcas de mãos e joelhos do antigo caldeireiro.
Uma equipe de arqueólogos descobriu um objeto único pertencente aos pictos no arquipélago das Órcades (Escócia). Dessa confederação tribal, que habitou o leste e o norte da atual Escócia durante a Idade do Ferro e a Alta Idade Média, sobreviveu muito pouco da sua forma de escrita e às vezes é apelidada pela mídia de “povo perdido da Europa”.
Escócia povo perdido
Segundo o jornal The Guardian, a descoberta foi feita na ilha de Rousay em um importante assentamento de pictos que está sendo erodido pelas marés e, por isso, os especialistas se apressam a estudá-lo. Esse assentamento alberga uma pequena estrutura circular de pedra, meio subterrânea, onde os cientistas encontraram uma bigorna de pedra que preserva as marcas de carbono dos joelhos e as mãos de um trabalhador do cobre.

Escócia
Arqueólogos revelam mistério do sarcófago negro encontrado no Egito (FOTOS) | © FOTO: MINISTÉRIO DE ANTIGUIDADES
 

O líder da equipe, Stephen Dockrill, reconheceu que a descoberta das marcas humanas nessa antiga oficina de cobre, que datam de entre 1.000 e 1.500 anos, surpreendeu os arqueólogos. “Uma marca de mão é tão pessoal e individual que quase se pode sentir a presença do caldeireiro e imaginar como deve ter sido trabalhar ali há tantos anos”, disse o cientista.Julie Bond, codiretora das escavações, por sua parte, disse à BBC que “ela nunca viu algo assim” e que a descoberta é “única”.
Fonte: Sputnik Brasil


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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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