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“Mandela somos todos nós”

Mandela somos todos nós 

O mundo que respira democracia e não aceita o racismo celebra hoje o centenário de nascimento de Mandela…

Por Benedita da Silva 

O sul-africano Mandela se tornou universal com a sua luta que diz respeito não apenas aos povos negros, mas igualmente a todos aqueles que defendem a dignidade do ser humano, ação tão desprezada no mundo de hoje.

Perseguido, condenado e preso sem nenhum crime, Mandela transformou seus 27 anos de prisão numa chama que inspirava a luta contra racismo. Seu exemplo de luta inspirou fortemente o avanço do movimento negro brasileiro contra quem discriminava e oprimia a população negra das favelas e periferias desde o fim da escravidão. Por isso nos tornamos, junto com outros parlamentares negros da Assembleia Constituinte, parte ativa do movimento de solidariedade internacional a Mandela.

Há 30 anos, nessa mesma Constituinte, assinamos uma moção pela libertação de Mandela e o rompimento de relações comerciais do Brasil com o regime racista da África do Sul.

O apartheid não resistiu à pressão e finalmente libertou Mandela em 1990, aos 71 anos de idade. Demonstrando a sabedoria dos iluminados, Mandela saiu de seu longo cativeiro sem rancor, mas com muita determinação para libertar a maioria negra sul-africana da segregação racial e pacificar o país numa democracia multirracial.

Foi o que aconteceu com a sua eleição consagradora a presidente, em 1994, quando pôs fim ao odioso regime anti-humano do apartheid.

Neste 18 de julho de 2018 é impossível não fazermos um paralelo entre os 100 anos de Mandela e os 100 dias da prisão injusta de Lula. Como aconteceu com Mandela, também perseguiram, condenaram e prenderam Lula sem nenhum crime, a não ser o de ter feito em seu governo a inclusão social de 35 milhões de pessoas e tirado o Brasil do Mapa da Fome.

A razão política da injusta prisão de Lula fica clara quando vemos o governo oriundo do golpe do impeachment esmagando os direitos do povo e vendendo a nação brasileira, jogando assim por terra todas as conquistas sociais e a soberania de nosso país representada pela entrega das maiores reservas de petróleo do pré-sal.

A história de luta de Mandela confirma aquilo que Lula falou em São Bernardo, pouco antes de sua prisão política, que nenhum muro ou grade de prisão conseguirá impedir que os ideais de liberdade e de justiça social alcance a consciência do povo e se materialize na luta pela reconquista da democracia.

É o que vemos acontecer todos os dias. É o que se constata com o persistente apoio do povo a Lula, revelado em todas as pesquisas, mesmo ele estando preso.

Para o povo brasileiro, que se lembra de como era o governo de Lula, a prisão de Curitiba não tem muros e de lá o ex-presidente sairá para ser de novo o presidente de todos.

Benedita

Fonte: Brasil 247 


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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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