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Bozo manipula informações sobre o isolamento e insiste na volta ao trabalho

Bozo manipula informações sobre o isolamento e insiste na volta ao trabalho

Bolsonaro manipula declarações do diretor da OMS sobre isolamento contra o coronavírus e insiste na volta ao trabalho

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Ontem, pela manhã, na frente do Palácio do Planalto, Bolsonaro perguntou para os jornalistas, em tom jocoso, se haviam ouvido a declaração de Tedros Adhanom Ghebreyesus (foto), diretor-geral da OMS (Organização Mundial de Saúde): “Vocês viram o presidente da OMS ontem? O que ele disse, praticamente… em especial, com os informais, têm que trabalhar. O que acontece? Nós temos dois problemas: o vírus e o desemprego. Não pode ser dissociados, temos que atacar juntos”.

Em coletiva à imprensa, em Genebra, Tedros convocou os países a lidar com os mais pobres, apoiando-os – com medidas sociais e transferência de recursos – de forma que não passem por privações durante o isolamento. Mas Bolsonaro descontextualizou uma de suas frases para justificar sua rejeição à quarentena.

E ele não se contentou em fazer isso diante dos jornalistas: à noite, em cadeia nacional, repetiu as mesmas mentiras, agora em discurso divulgado na TV. E continua fazendo o mesmo – seus filhos também – nas redes sociais.

O presidente mentiu – em sua fala, Tedros não falou em trabalho, mas em garantir renda para os desfavorecidos, como contou em suas redes sociais – e omitiu informações, revelando, mais uma vez, sua total incapacidade para gerir o país, ainda mais num cenário de pandemia. Para “salvar a economia”, insiste em colocar a vida de todos os brasileiros em risco. Uma economia que, em suas mãos e nas do ministro Paulo Guedes, já estava à deriva (só lembrar do PIBinho e do dólar a 5 reais, para citar apenas dois exemplos).

Ontem, talvez prevendo que o diretor-geral pudesse ser mal interpretado, a entidade decidiu esclarecer seu posicionamento nas redes sociais, com a publicação de dois trechos de sua fala:
– “Pessoas sem fonte de renda regular ou sem qualquer reserva financeira merecem políticas sociais que garantam a dignidade e permitam que elas cumpram as medidas de saúde pública para a Covid-19 recomendadas pelas autoridades nacionais de saúde e pela OMS” e
– “Eu cresci pobre e entendo essa realidade. Convoco os países a desenvolverem políticas que forneçam proteção econômica às pessoas que não possam receber ou trabalhar devido à pandemia da covid-19. Solidariedade”
.

A OMS fez isso sem citar Bolsonaro. Nem precisava: ele é o único governante que, até agora, se recusa a aceitar o isolamento social, nega a Ciência e confunde seu povo. Na organização, ele é considerado uma ameaça ao combate ao vírus.

Por conta desse comportamento, esta não foi a primeira vez que Tedros respondeu ao presidente brasileiro. Segundo o jornalista Jamil Chade, na semana passada, ao questionar o representante da OMS sobre sua insistência em minimizar a doença, ele apenas respondeu. “As UTIs estão lotadas em muitos países. É uma doença muito séria”.

Em seu Twitter, no qual é bastante ativo, o diretor-geral da OMS tem reforçado o posicionamento da OMS a favor do isolamento social e alertou para a vulnerabilidade dos países em desenvolvimento, como o Brasil. “Os países em desenvolvimento, que abrigam 25% da população mundial, provavelmente serão os mais atingidos pela Covid-19”.

Ontem, também conclamou os países a proteger os refugiados: “COVID19 representa uma ameaça global à nossa humanidade coletiva e devemos priorizar a preservação da vida, independentemente do status. Exortamos todos os países a protegerem os direitos e a saúde dos refugiados, migrantes e apátridas em suas respostas”. Sobre estes, Bolsonaro nunca se pronunciou.

Em entrevista ao programa Roda Viva, esta semana, o biólogo e virologista Átila Iamarino foi questionado sobre a proposta de Bolsonaro para a adoção do isolamento vertical. Ele apenas respondeu: “Essa sugestão não tem fundamento científico, não foi testada, portanto, não cabe no debate”. Sem mais.

Força, aí, e fique em casa!

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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