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Brasil entra para a “lista suja” da ONU

Brasil entra para a “lista suja” da ONU

Brasil entra para a “lista suja” da ONU

Por ameaças e represálias contra ativistas ou pessoas que denunciam violações, Brasil está incluído em lista com 42 países com regimes autoritários…

Por Mídia Ninja

Por casos recorrentes de ameaças e represálias contra ativistas ou pessoas que nacional ou internacionalmente denunciam violações, o Brasil está na “lista suja” das Organizações das Nações Unidas (ONU). É a primeira vez que o país é incluído na lista anual que, divulgada em 14 de setembro, colocou o Brasil ao lado de outros 42 países, a maioria deles, de regimes autoritários, como Irã, Egito e Mianmar.

A ameaça que sofreu a líder indígena Alessandra Munduruku foi determinante, segundo o jornalista Jamil Chade, colunista do UOL, que reproduziu trecho do texto dos relatores. Eles citaram incidentes que ela sofreu depois que participou da COP26, em Glasgow, junto a delegação indígena. Na COP ela foi alvo de intimidação de um homem, que foi retirado por seguranças. Quando chegou à sua casa, ela havia sido supostamente invadida, forçando ela e sua família a se mudarem para outro local por segurança.

“Durante a conferência, a Sra. Munduruku e outros ativistas indígenas alegadamente receberam ameaças e foram intimidados quando denunciaram grandes corporações mineradoras e madeireiras pela invasão de territórios indígenas, bem como a falta de proteção do Estado, e seu fracasso em demarcar os territórios”.

Depois desses fatos, a ONU enviou pedido de esclarecimentos ao governo brasileiro e sobre as medidas que seriam tomadas para protegê-la. Segundo a ONU, nos dias 19 de abril e 3 de maio, o governo brasileiro enviou a resposta, reconhecendo a situação vulnerável de Alessandra, que havia investigações em curso e que ela estaria sendo atendida por programa de proteção a defensores.

Já em 15 de julho de 2022, disse que não haviam elementos factuais ou concretos que indicassem que autoridades governamentais tivessem agido com intimidação ou represálias. O país tem sido duramente criticado por instâncias internacionais por conta diversos casos de violações de direitos humanos, muitos deles, estimulados por discursos e postura de Jair Bolsonaro.

Bolsonaro foi alvo de críticas, inclusive, da alta comissária da ONU para Direitos Humanos, Michelle Bachelet, que falou sobre ataques do atual governo contra a população vulnerável e sucessivas tentativas de atacar a democracia. Bolsonaro deve se reunir em breve, com o secretário-geral da ONU, Antônio Guterres.

Bolsonaro está em Nova York (EUA), participando da Assembleia Geral das Nações Unidas. Na segunda-feira, foi “recepcionado” por ativistas. No prédio-sede da ONU foram projetadas imagens e palavras que o chamavam de “mentiroso” e “vergonha brasileira”. Já na terça-feira (20), fez um discurso que mais parecia para a bolha bolsonarista, ao invés de pretar contas sobre os compromissos assumidos.

Segundo Jamil Chade, quem assumiu o ato ativista foi a US Network for Democracy in Brazil, que reúne entidades e universidades.

https://xapuri.info/elizabeth-teixeira-resistente-da-luta-camponesa/

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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