Pesquisar
Close this search box.

Cancelado oleoduto que atravessaria o Canadá

A TransCanada, empresa por trás do polêmico oleoduto Keystone XL, anunciou  o cancelamento do projeto de construção do oleoduto Energy East. Se concluído, ele transportaria betume das areias betuminosas da província de Alberta, no lado oeste do Canadá, até a costa atlântica, a mais de 4.500 quilômetros de distância.

O projeto enfrentava desafios econômicos e ambientais, que vão desde a ameaça aos habitats de baleias até queixas de lobby indevido. Mas o maior problema foi a mudança climática: no mês passado, o governo canadense anunciou que o impacto total das mudanças climáticas do gasoduto – incluindo o petróleo que ele transporta – seria considerado como parte da revisão regulamentar do projeto. As emissões permitidas pelo gasoduto foram estimadas em até 236 milhões de toneladas de CO2.

O oleoduto atravessaria a província de Quebec, onde havia oposição local significativa. David Heurtel, ministro do Desenvolvimento Sustentável, do Meio Ambiente e da Luta contra as Alterações Climáticas daquela província, disse o seguinte em resposta ao cancelamento de hoje:

“O que isso mostra é que nós evoluímos muito no nosso relacionamento com o petróleo, mas também em termos de combater as mudanças climáticas e a necessidade de mudar para outras formas de energia. Quando você olha o que está acontecendo em todo o mundo, você vê que os investimentos em combustíveis fósseis são muito menos importantes do que aqueles em energia renovável “.

O cancelamento do gasoduto da Transcanada é o último acontecimento de uma tendência global: os principais projetos de infraestrutura de combustíveis fósseis são cada vez mais uma aposta arriscada.

Alberta WaLLDesK

Foto: 1ZOOM.Me

ANOTE AÍ:

Esta matéria nos foi gentilmente cedida por Rita Silva, da Aviv Comunicação: www.avivcomunicacao.com.br 

Para outras informações:

Équiterre (francês)
Declaração on-line aqui
Contato: Dale Robertson
drobertson@equiterre.org

Defesa Ambiental de Canadá (de língua inglesa)
Declaração on-line aqui
Allen Braude
abraude@environmentaldefence.ca

Oil Change International (de língua inglesa)
Declaração on-line aqui
Contato: Adam Scott
adam@priceofoil.org

baleia canada Le TouristeFoto: Le Touriste

 

 

COMPARTILHE:

Facebook
Twitter
LinkedIn

UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

PARCERIAS

REVISTA

CONTATO

logo xapuri

posts relacionados