Pesquisar
Close this search box.

Carlos Bolsonaro é alvo de operação da PF que investiga espionagem ilegal pela Abin

Carlos Bolsonaro é alvo de operação da PF que investiga espionagem ilegal pela Abin

Ao todo, nove mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos nesta segunda-feira, cinco na cidade do Rio de Janeiro, um em Angra dos Reis (RJ), um em Brasília, um em Formosa (GO) e um em Salvador.

Por Redação/Mídia Ninja

Nesta segunda-feira (29), o vereador Carlos Bolsonaro, filho “02” de Jair Bolsonaro, foi alvo de mandados de busca e apreensão em uma nova operação deflagrada pela Polícia Federal. A ação é parte das investigações sobre o suposto uso ilegal de sistemas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Bolsonaro, quando Alexandre Ramagem dirigia o órgão.

Na última quinta-feira (25), o ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem, foi alvo de buscas, resultando na apreensão de quatro computadores, seis celulares e 20 pendrives em seus endereços. Entre os objetos confiscados, destaca-se um notebook e um celular pertencentes à Agência.

A operação tem como foco o “núcleo político” de Ramagem, incluindo aliados dele na época da Abin e no atual mandato como deputado federal. As buscas não se limitam apenas ao âmbito residencial; há também mandados sendo cumpridos na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro.

As suspeitas recaem sobre Carlos Bolsonaro, que, segundo apurações, pode ter recebido materiais obtidos ilegalmente pela Abin. A Polícia Federal informou que nove mandados de busca e apreensão estão sendo executados nesta segunda-feira, abrangendo cinco na cidade do Rio de Janeiro, um em Angra dos Reis (RJ), um em Brasília, um em Formosa (GO) e um em Salvador.

A investigação conduzida pela PF busca esclarecer se a Abin foi “instrumentalizada” para monitorar ilegalmente uma série de autoridades, pessoas envolvidas em investigações e desafetos do ex-presidente Jair Bolsonaro.

As possíveis violações incluem crimes como invasão de dispositivo informático alheio, organização criminosa e interceptação de comunicações telefônicas, de informática ou telemática sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei.

Fonte: Mídia Ninja. Foto: Câmara Municipal Rio de Janeiro.

Block

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

0 0 votos
Avaliação do artigo
Se inscrever
Notificar de
guest
0 Comentários
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários