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Os Papangus de Bezerros

Os Papangus de Bezerros: Centenária tradição carnavalesca no Agreste Pernambucano

Em Bezerros, cidadezinha do agreste pernambucano, localizada cerca de 107 quilômetros de Recife, capital do Estado, há mais de um século os festejos carnavalescos se regem pelo ritmo do papangu, figura  clássica do folclore local.

Conhecida como a  “Folia do Papangu”, o tradicional carnaval de Bezerros é o terceiro mais procurado de Pernambuco e atrai cerca de 300 mil foliões por ano, informa a Fundarpe. Considerados personagens fundamentais do Carnaval de Pernambuco, os Papangus de Bezerros, além de colorir as ruas,  são os responsáveis por alegrar a festa.  Mas de onde vêm os papangus?

Segundo o professor Ronaldo J. Souto Maior, fundador do Instituto de Estudos Históricos, Arte e Folclore de Bezerros, a origem dos papangus data de 1881. Diz o professor: “o papa-angu nasceu de uma brincadeira de familiares dos senhores de engenhos, que saíam mascarados, mal vestidos, para visitar amigos nas festas de entrudo – antigo carnaval do século dezenove –, e comiam angu, comida típica do Nordeste (agreste) pernambucano. Por isso, as crianças passaram a chamar os mascarados de papa-angu.”  Até hoje, antes de cair na folia, os foliões  costumam comer angu, normalmente fornecido pelos moradores locais.

Há também versões populares sobre a origem dos papangus. Segundo conta uma história muito antiga, dois irmãos que comiam muito angu, resolveram cortar as pernas das calças e cobrir o rosto com capuz para não serem reconhecidos, mas o disfarce não funcionou. Foram descobertos pela gula. Outra versão, também antiga, conta que, no século 19, os mascarados ganharam esse nome depois que uma senhora resolveu preparar angu de xerém para alimentá-los.

Antigamente o papangu tinha a máscara confeccionada com coité (cuia do fruto), cuja pintura era feita com azeitona preta, açafrão e folha de fava. Possuía chocalhos ao redor da roupa, que era enfeitada com palha de banana e na mão levava um maracá de coco seco com pedra dentro. Hoje, as máscaras geralmente são feitas de papel colé e maché. Além das máscaras, os papangus usam túnicas compridas, que os cobrem dos pés ao pescoço, para não serem identificados.

Embora o auge do reinado dos papangus de dá nos dias de carnaval, em Bezerros o papangu passou a ser uma cultura que dura o ano todo nas oficinas de máscaras, nas oficinas de dança e música carnavalesca e na culinária desenvolvida com variados pratos feitos com angu. Porém, à medida em que o carnaval se aproxima, os papangus confeccionam suas fantasias em absoluto segredo para não deram descobertos durante a festa, que tem seu auge no domingo de carnaval.

Segunda a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de  Pernambuco – Fundarpe, a produção de máscaras para o Carnaval de Bezerros é iniciada meses antes da festa, e cada artesão chega a produzir aproximadamente 300 peças por semana. Essas peças são vendidas durante o carnaval e, depois, durante o ano inteiro, nas lojas de artesanato da cidade, a preços que variam –   as peças grandes com mais de 70 cm podem chegar a custar R$130,00,  as menores e mais mais simples custam entre R$10,00 e R$40,00.

No domingo de carnaval, a partir das 9h da manhã, a BR-232 fica lotada de papangus. Os blocos de panpangu são acompanhados de orquestra de frevo e carro de som, desfilando pelas principais ruas da cidade até a Praça da Bandeira, quartel-general do carnaval, onde outros papangus incorporam-se à festa, que dura até a terça-feira de carnaval, com os papangus dançando por todo o interior de Pernambuco, mas mantendo-se sempre mais fortes no município de Bezerros.

É no no domingo de carnaval que os homens usam  máscaras de papel machê e, uma grande quantidade deles, usam roupas coloridas de mulher, formando a legião das “melindrosas”, típicas da festa, que dançam o dia todo animadas pelas orquestras de frevo e pela alegria contagiante dos blocos e grupos carnavalescos.
Na quarta feira de cinzas, há cinquenta anos o Bloco Bacalhau do Lula, comandado pelo artista carnavalesco Lula Vassoureiro,  encerra a folia dos Papangus. Como já é tradição, bacalhau e vinho  são distribuídos durante o desfile, sempre assistido por milhares de pessoas.

O professor Ronaldo José Souto Maior é pesquisador da história do município pernambucano de Bezerros. A sua fonte para as informações foi a Ata da Câmara de Vereadores de Bezerros, além de 50 anos de pesquisa. Os dados aqui registrados foram enviados pelo professor por e-mail, para a coordenação do projeto Pesquisa Escolar on-line.

Fontes consultadas: GASPAR, Lúcia. Papangus de Bezerros, PE. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife + Programação Carnaval Recife/Carnaval de Bezerros 2017.


 

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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