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Carta de Yarochewsky para Lula: Seguiremos lutando e com esperança!

Carta de Yarochewsky para Lula: Seguiremos lutando e com esperança!

“Lula, seguiremos lutando e com esperança; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las”

Por Yarochewsky

Estimado Presidente Luiz Inácio Lula da Silva,

Li com muita atenção a carta que o senhor enviou ao povo brasileiro na última terça-feira (03/07).

Com todo o respeito, em “resposta”, venho lhe dizer, antes de tudo, que a maioria do povo brasileiro continua confiando no seu maior líder.

Não é sem razão, portanto, que Lula aparece em primeiro lugar em todas as pesquisas de opinião para Presidência da República.

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revista 115
 

Sim, Presidente, como disse em sua carta, “Chegou a hora de todos os democratas comprometidos com a defesa do Estado Democrático de Direito repudiarem as manobras” da qual Vossa Excelência é vítima, a fim de que prevaleça a Constituição e os princípios nela insculpidos.

Centenas de juristas sabem que o senhor foi condenado sem provas, tanto pelo juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba quanto pelo TRF-4.

Tanto que várias obras e inúmeros artigos foram escritos por grandes juristas – inclusive estrangeiros – sobre o processo de exceção que lhe condenou.

É fato: o senhor foi condenado por um juiz “suspeito” e “incompetente”.

Também é fato: durante todo o processo o senhor foi tratado pelos agentes do Estado Penal como “inimigo”. E como tal, negam-lhe direitos e garantias fundamentais.

Com tantas injustiças, o senhor demonstra em sua carta – com toda razão! – descrença na justiça.

Sim, caríssimo Presidente, não há nada, absolutamente nada, mais revoltante e doloroso para o ser humano do que a injustiça.

A injustiça é a própria tirania, a iniquidade que desacredita as instituições e fere a alma.

Muitas vezes a injustiça é escancarada, vista por todos.

Outras vezes, sem ser vista ou percebida, a injustiça fantasia-se de legalidade, vitimando inocentes.

É o seu caso.

Nós sabemos que o senhor não cometeu crime algum.

Por isso, Presidente Lula, continuaremos lutando — jurídica e politicamente — para que a verdade prevaleça e vença.

Presidente Lula, vamos continuar também tendo esperança.

“A esperança”, como proclamou Santo Agostinho, “tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las”.

Abraço fraterno,

Leonardo Isaac Yarochewsky – advogado criminalista e doutor em Ciências Penais; é um dos coautores do livro O Caso Lula: a luta pela afirmação dos direitos fundamentais no Brasil. 

Fonte: VIOMUNDO 

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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