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Cavalcante/GO: Quatro agricultores pobres mortos e 58 tiros dados por PMs

Cavalcante/GO: Quatro agricultores pobres mortos e 58 tiros dados por PMs

Quatro agricultores pobres mortos e 58 tiros dados por PMs numa plantação de maconha

Caso de Goiás traz à tona mais uma vez o uso totalmente desproporcional de força por parte de agentes de segurança. Familiares dizem que era gente sem nada, que pedia comida e sem armas. Polícia afirma que foi recebida à bala…

Por Henrique Rodrigues/ via Revista Fórum

Uma operação realizada por policiais militares entre os municípios de Cavalcante e Colinas do Sul, na região da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, que buscava uma pequena plantação de maconha numa zona rural, terminou com quatro agricultores mortos após os agentes dispararem 58 tiros na abordagem, sem 40 deles de fuzil.

Na versão oficial apresentada pelos PMs, ao se aproximarem de casebres com telhado de palha, após localizarem alguns pés da planta, que é ilegal, tiros foram disparados em direção a eles, que precisaram revidar, atingindo os suspeitos que estavam no local. Os seis agentes afirmaram ao apresentar a ocorrência na delegacia que os feridos estavam com três revólveres, de calibres 38, 32 e 22, e uma espingarda.

No entanto, familiares, amigos e moradores da área, que é extremamente pobre, disseram que as vítimas eram campesinos sem absolutamente nada, que viviam de pequenas atividades agrícolas na região, e que precisavam pedir comida frequentemente nas casas daquela zona rural por não terem sequer o que comer. Sobre as armas, eles afirmam que apenas a espingarda ficava com o grupo, algo comum entre moradores de lugares ermos do sertão brasileiro, frequentemente usada para caçar.

“Eram pessoas que não tinham uma moto, um automóvel, viviam pedindo ajuda para comer, porque na vila de São Jorge a gente é uma família. A gente se ajudava. Quando não tinha dinheiro, dava uns trocados para rastelar. A gente quer Justiça. A gente não vai abaixar a cabeça para isso”, disse uma parente de uma das vítimas, que não quis revelar a identidade por medo de represálias.

“Eles não tinham absolutamente nada a ver com a plantação de maconha. E mesmo o pessoal tendo plantado, não há direito de pena de morte. Eles não tiveram o direito de ser julgados. Precisa usar a palavra “chacina”, porque isso não pode ser normalizado”, revoltou-se Murillo Aleixo, de 33 anos, amigo de duas vítimas, em depoimento à reportagem do site brasiliense Metrópoles.

Quanto à identidade dos mortos, elas foram apresentadas pelas autoridades como Ozanir Batista da Silva, de 46 anos, Salviano Souza Conceição, de 63 anos, que seria o dono da plantação de maconha, e Alan Pereira Soares, de 27 anos. O quarto indivíduo não teve o nome confirmado e moradores de Colinas do Sul disseram que ele era conhecido na região apenas como Chico Kalunga.

O que diz o comando da PM

O comandante do policiamento no município de Niquelândia, responsável pela área e pela realização da operação, subtenente Flávio Taveira Guimarães, disse que foram instaurados procedimentos para a apuração dos fatos e que essa investigação sai do controle da PM. Para ele, familiares defendem os supostos criminosos por conta dos laços afetivos.

“É família! A gente entende o sentimento deles. Quanto à versão da PM, sempre que há confronto é aberto um procedimento investigativo para apurar os fatos. Um fato deste não começa e acaba nas mãos da PM. Existe a atuação de outros órgãos que têm independência de atuação”, falou o militar ao Metrópoles.

Ministério Público

O Ministério Público de Goiás informou que ainda será notificado sobre os fatos e que antes precisa ficar claro de qual unidade do órgão é a responsabilidade pelo acompanhamento do caso, já que o suposto confronto ocorreu numa área limítrofe entre dois municípios.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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