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Chapada dos Veadeiros pede socorro: 26% do Parque já foi destruído

Um dos maiores patrimônios do Brasil, a Chapada dos Veadeiros, está sendo devastado por um incêndio que muitos acreditem ser causado pela ação do homem. Até o momento 61 mil hectares, 26% da área total do parque, já foi consumido pelas chamas. Um número que equivale que à area total do município do Rio de Janeiro.

Numa entrevista à BBC Brasil, o chefe do parque, Fernando Tatagiba, afirmou que o fogo tem como causa a ação humana e criminal. “Não existe a possibilidade de combustão espontânea nessa região e 100% dos incêndios na seca no Cerrado são provocados pelo homem. O local onde ele começou deixa claro que o incêndio foi uma ação humana”, disse.

A esperança da equipe é a de que alguma chuva ocorra na região. Tatagiba, no entanto, não está muito otimista. “O céu hoje está nublado, mas apenas com nuvens finas. Com isso a perspectiva de chuva é mínima”, disse.

O incêndio atual teve início no dia 17 de outubro. Diante desse cenário de agravamento da situação, a prefeitura de Alto Paraíso de Goiás, município localizado na Chapada dos Veadeiros, decretou situação de emergência. Segundo o ICMBio, mais de 200 pessoas, entre profissionais de combate ao fogo e voluntários, trabalham para conter as chamas, que provocaram o fechamento do parque.

Além de brigadistas do ICMBio, do próprio parque e de outras unidades de conservação no país, estão envolvidos no combate ao fogo funcionários do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Grupo Ambientalista do Torto (GAT), da Polícia Rodoviária Federal, da prefeitura de Alto Paraíso, bombeiros de Goiás e do Distrito Federal e centenas de voluntários, que estão em campo ou prestando apoio logístico aos trabalhos. Quatro aviões que lançam água sobre as chamas e três helicópteros estão sendo usados na operação.

Alguns acreditem que o incêndio é uma retaliação à expansão do parque em junho deste ano quando passou de 65 mil a 240 mil hectares. A área total devastada já equivale às antigas dimensões do parque.

Na internet, diversas campanhas para arrecadar fundos para combater os incêndios estão ocorrendo como a campanha no site de financiamento coletivo, Catarse. Alguns perfis no Instagram estão até oferecendo prêmios para quem contribuir para a campanha.

O dinheiro arrecadado será usado para comprar combustíveis e alimentos para os combatentes, como também para adquirir equipamentos como os turbo sopros, que apagam as chamas com a velocidade equivalente a dez brigadistas.

O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros foi criado em 1961 e, em 2001, declarado Patrimônio Natural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O limite de visitação diária do parque é de 500 pessoas.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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