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Cimi revela disparada de mortes de crianças indígenas no governo Bolsonaro

Cimi revela disparada de mortes de crianças indígenas no governo Bolsonaro

A Terra Indígena (TI) Yanomami, localizada entre o e Roraima, registrou 621 mortes de crianças indígenas, concentrando 17,5% de todos os óbitos

O relatório contra os no -dados de 2022, divulgado pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI), registrou um total de 3.552 mortes de crianças indígenas de 0 a 4 anos no governo Bolsonaro (2019-2022).

Nesse período, o Amazonas registrou o maior número de mortes de crianças indígenas na mesma faixa etária (1.014), seguido de Roraima (607) e Mato Grosso (487).

Com base nas informações obtidas pela Lei de Acesso à Informação (LAI) e da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), o relatório apontou que ocorreram, em 2022, 835 mortes de crianças com maior concentração também nos três estados: Amazonas (233), em Roraima (128) e em Mato Grosso (133).

A Terra Indígena (TI) Yanomami, localizada entre o Amazonas e Roraima, registrou 621 mortes de crianças, concentrando 17,5% de todos os óbitos.

Leia mais: Governo quer manter demarcação de terras na pasta dos Povos Indígenas

Os garimpeiros ilegais, de acordo com o relatório, apropriaram-se de parte da estrutura de saúde na TI, sobretudo nas áreas mais isoladas.

“O fato de que parte da estrutura de saúde da TI foi apropriada por garimpeiros, em regiões isoladas e de difícil acesso, indica que a realidade certamente é ainda mais grave do que os dados oficiais reconhecem”, diz um trecho do relatório.

Dados do Ministério da Saúde revelaram que 570 crianças de até cinco anos morreram de doenças evitáveis na TI Yanomami durante o governo passado, um aumento de 29% em relação a 2015-2018.

O documento indica ainda a ocorrência de 115 suicídios de indígenas em 2022, a maioria nos estados do Amazonas (44), Mato Grosso do Sul (28) e Roraima (15). Mais de um terço das mortes por suicídio (39, equivalentes a 35%) ocorreu entre indígenas de até 19 anos de idade.

Entre 2019 e 2022, dados atualizados destas mesmas fontes totalizam 535 mortes de indígenas por suicídio. Neste período, os mesmos três estados registraram o maior número de casos: Amazonas (208), Mato Grosso do Sul (131) e Roraima (57) concentraram, juntos, 74% dos suicídios indígenas ao longo destes quatro anos.

O grave quadro de doenças e desnutrição em crianças e idosos na TI Yanomami, sobretudo por conta da invasão de suas terras pelo , levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a decretar emergência de saúde pública de importância nacional na região.

Violência

Os quatro anos sob o governo de Bolsonaro apresentaram uma média de 373,8 casos de “Violência contra a Pessoa” segundo o relatório. Nos governos anteriores (Michel Temer e ) a média foi de de 242,5 casos anuais.

Foram registrados os seguintes dados: abuso de poder (29); ameaça de morte (27); ameaças várias (60); assassinatos (180); homicídio culposo (17); lesões corporais dolosas (17); e discriminação étnico-cultural (38); tentativa de assassinato (28); e violência sexual (20).

O Cimi diz que o cenário desolador ficou evidenciado por eventos que causaram grande comoção e tiveram repercussão nacional e internacional, como os assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, mortos em junho na região da Terra Indígena (TI) Vale do Javari, no Amazonas.

Os crimes foram cometidos por “pessoas vinculadas à rede criminosa que articula as invasões ao território; e as invasões garimpeiras ao território Yanomami, que, sob o olhar conivente do Estado, geraram enormes danos ambientais e uma crise sanitária sem precedentes”.

Fonte: Portal Vermelho Capa: Antonio Alvarado/@antonioalvaradoc/Urihi Associação Yanomami


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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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