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Com a obra ‘A Vestida: contos’, Eliana Alves vence categoria Conto do Prêmio Jabuti

Com a obra ‘A Vestida: contos’, Eliana Alves vence categoria Conto do Prêmio Jabuti

Eliana Alves Cruz venceu a categoria Conto do 64º Prêmio Jabuti com sua obra literária “A vestida: contos”, da Malê Editora…

Por Mídia Ninja

A escritora e jornalista Eliana Alves Cruz venceu a categoria Conto do 64º Prêmio Jabuti com sua obra literária “A vestida: contos”, da Malê Editora. Eliana é autora dos romances “Água de barrela”, fruto de cinco anos de pesquisa sobre a história de sua família desde os tempos da escravidão e “O crime do cais do Valongo”, uma instigante narrativa que se inicia em Moçambique e chega até o Rio de Janeiro. As obras “Nada digo de te que em ti não veja” e “Solitária”, também integram os escritos da autora.

“A vestida”, lançado em outubro deste ano, traz 15 contos envoltos por temas como o antirracismo, o feminismo e os problemas sociais do país. Os textos foram reunidos originalmente para o Clube Lê, o clube de leitores da editora Malê.

“O Brasil passou mais tempo na escravização que fora dela e precisará, no meu entender, de mais que o dobro desta quantidade de anos para se livrar das sequelas provocadas pela tragédia que foi o comércio transatlântico de almas. Não gosto de usar a palavra nunca. Nunca é tempo demais, mas o dado real é que estamos numa distância abissal da pacificação com todas estas questões”, disse Eliana em uma entrevista ao Notícia Preta.

Em suas redes sociais, Eliana celebrou com alegria a conquista e saudou seus ancestrais: “Obrigada, ancestralidade. Jabuti é de quem? Kaô Kabecilé!”

http://xapuri.info/lburdia-gabriel-aprovado-em-medicina-na-usp-fazia-faxina-para-pagar-cursinho/

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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