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Com proximidade da COP, mobilização pelo clima se espalha pelo mundo, confira

Com proximidade da COP, mobilização pelo clima se espalha pelo mundo, confira 

Organizações da sociedade civil promovem ação no Rio de Janeiro (RJ), Porto Alegre (RS) e em Silves (AM). Também ocorreram protestos em outras cidades pelo mundo, como esquenta para a COP 28.

Por Redação/O Eco

A menos de três semanas para o início da 28ª reunião da Conferência do Clima da ONU, que dessa vez ocorrerá em Dubai, nos Emirados Árabes, as organizações que lutam por justiça climática iniciaram uma série de manifestações pelo país, que devem ocorrer até o fim de novembro. No Rio de Janeiro, ativistas mobilizados pela Rede da Associação dos Homens e Mulheres do Mar da Baía de Guanabara (Rede Ahomar) e pela ONG de campanhas por justiça climática 350.org. se reuniram na última sexta-feira (03) para protestar pelo fim dos combustíveis fósseis e por uma transição energética justa e popular.

As ações de mobilização também ocorreram em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul; e em Silves, no e em pelo menos 60 países. O objetivo é mobilizar as comunidades afetadas pela e exigir que os recursos que alimentam petróleo, gás e carvão sejam redirecionados para as energias renováveis. A transição energética é um dos temas da COP 28, que terá como país sede um dos maiores produtores de petróleo do mundo, os Emirados Árabes Unidos. Veja fotos:

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Fonte: O Eco. Fotos: Andréa Graiz e Lucas Landau 350.org

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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