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Covid-19: O órgão mais afetado…

Covid-19: O órgão mais afetado…
 
Por Tarciso Vargas no Facebook
 
Você percebe o primeiro sintoma, dor de cabeça, depois dor na garganta, mas acha que não é nada, então perde o paladar e tem um desconforto respiratório, vc acha que é ansiedade e então vem a febre 38.3° a partir daí vc decide ir ao médico, chegando no hospital logo na triagem , colocam uma máscara em você, te colocam em observação, colhem exames, te fazem inúmeras perguntas, a sua falta de ar aumenta, vê profissionais trabalhando, um encaminha o exame, outro prepara medicação, até que a falta de ar fica insustentável, monitor começa a alarmar , vc sente o coração bater mais rápido e escuta uma voz dizendo prepara o material vamos entubar, vc começa a sentir um sono ao qual não consegue se manter acordado. A partir daí meu amigo já te sedaram, você não responde mais por vc, está agora nas mãos dos profissionais de saúde, as imagens da tomografia não apresentam nenhuma melhora, enquanto isso sua família te assiste de longe , sem dar um abraço e dizer um eu te amo de pertinho, várias drogas para te manter vivo, os profissionais se empenhando ao máximo. Até que um dia se tem um movimento grande de pessoas perto de você, mas você está em coma , vários ciclos de manobras e medicações para ver o ritmo cardíaco e pressão arterial restabelecido, os profissionais fizeram tudo o que estava no alcance , mas vc já não está mais ali, e seu corpo começa a perder a cor da vida. Hora de conversar com a família, não pode abraçar, não pode se despedir , somente a lembrança , a lembrança de tudo que vc fez e viveu com seus familiares e amigos. Entenda a importância de estar em quarentena, se vc tem a oportunidade de ficar em casa fique!!! Para que não aconteça essa história com vc.?
 
Nota da Redação: Mantido o formato e grafia da publicação original.
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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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