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Deu “Empate” no Parlamento Europeu!

EMPATE

Por: Sérgio de Carvalho, no Facebook

O documentário Empate, da Saci Filmes, foi exibido no dia 2 de abril no Parlamento Europeu.
O filme aborda a resistência fos serengueiros 30 anos após o assassinato de ChicoMendes.
Logo após a exibição do filme, participamos de um debate sobre a Amazônia e os tempos sombrios do Brasil. O mundo está espantado e triste com o que acontece em nosso país.
Na mesa estavam a Eurodeputada Marisa Matias, referência na luta pelos Direitos Humanos e quem nos convidou a estar no Parlamento; Fernando Burges, da Unpo e Aline Yasmim, do Espirito Mundo, que organizaram e deram todo apoio para o que evento ocorresse.
Na fala emocionada de Angela Mendes, que lembrou da luta de seu pai e os retrocessos que estamos vivendo, denunciou a morte dos posseiros em Lábrea e a situação dos posseiros em Xapuri que estão perdendo suas terras.
Na minha fala, refleti o papel do cinema e da arte para esta travessia dificil.
Foi incrível! Foi emocionante usar do instrumento de minha arte para transmitir um pouco da voz da floresta! Resistência e esperança.
Nestas sincronicidades da vida, também esteve no Parlamento hoje Jean Wyllys, que falou para comunidade Lgbt de Bruxelas. Foi emocionante ouvir os motivos de seu auto exilio de um lado país que vive sua noite escura.
Como nos disse Jean: não foi coincidência estarmos aqui! É o universo contribuindo para darmos o recado.
Angela completou: é o Empate Moderno.

A fotos são de Monica MusoniAngela Jean Wyllys

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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