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Diário Do Bolso: O Dia Em Que Quase Eu Dei O Golpe

Diário Do Bolso: O Dia Em Que Quase Eu Dei O Golpe

Por José Roberto Torero – RBA

Quem será que contou? Será que foi um garçom? Será que algum general falou pra uma garota de programa e ela abriu o bico?

Se eu pegar quem foi, boto na rua com um pontapé no meio dos fundilhos! Encho de ozônio o furico do sujeito!
Não sei qual o nome do infeliz, mas alguém contou pra revista Piauí (aquela dos banqueiros comunistas) tudo que aconteceu no dia em que eu quase acabei com o STF! O dia em que eu quase dei um golpe.
Foi em 22 de maio. Aquele urubu do Celso de Mello tinha dito que queria meu celular. Tá louco? É nunca! Nem minha mulher encosta no meu telefone!

Quem estava no meu gabinete era: o Braga Netto, da Casa Civil, o Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, e eu. O General Heleno chegou atrasado. Tinha ido no médico. Não lembro se era covid ou exame da próstata. Mas não interessa. Eu estava fulo da vida e disse:

“Vou intervir!”

Minha ideia era mandar as tropas tirarem aqueles onze corvos do STF. Nem sei quem eu ia colocar no lugar, mas que ia fazer um furdunço, eu ia.

O Luiz Eduardo achou uma boa ideia, porque aquele negócio do Alexandre de Moraes impedir o Ramagem de ser o chefe da Polícia federal já tinha sido um absurdo. Se eu quero colocar um cupincha lá, eu tenho que poder colocar, pô!

O Augusto Heleno, que geralmente é meio nervosinho, veio botando panos quentes. Ele achava que não era pra tanto. Deve ter passado no médico da próstata, porque estava muito manso.

Aí chegaram o André Mendonça, que hoje é meu despachante, quer dizer, ministro da Justiça, o Fernando Azevedo, da Defesa, e o André Levi, da Advocacia-Geral da União.

A gente ficou debatendo pra ver se dava pra dar uma cara de legalidade pra coisa. Só comecei a me acalmar quando me explicaram que ainda não havia ordem pra pegar meu celular.

E me tranquilizei de vez quando o Heleno fez uma nota em que ameaça dar o golpe, dizendo que pegar meu celular traria “consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional”.

Acabou que não entreguei meu celular e, por causa daquela frase de macheza, os colegas militares do Heleno deram um monte de tapinhas nas costas dele.

Bom, Diário, eu até quis, mas não foi dessa vez. Na próxima, quem sabe…?

Fonte: O Plantonista

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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