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Em defesa de Lula, Dirceu convoca o povo brasileiro para as ruas

Ante a marcação do julgamento de Lula, pelo TRF4, para o dia 24 de janeiro, em Porto Alegre, em declaração contundente, José Dirceu de Oliveira e Silva, fundador do PT e ex-ministro do governo Lula, convoca a militância petista e o povo brasileiro para as ruas. 

A hora é de ação não de palavras, transformar a fúria e revolta, a indignação e mesmo o ódio em energia para a luta e para o combate. Todos a Porto Alegre dia 24, o Dia da Revolta. Criar, mobilizar um dois três… milhares de comitês em defesa de Lula. Denunciar, desmascarar e combater a fraude jurídica e o golpe político. Às ruas para ir às urnas e derrotar os inimigos da democracia, da soberania, do povo trabalhador e do ”.

Também condenado em Curitiba e Porto Alegre sem crime e sem provas, Zé Dirceu vem, há tempos, alertando a militância do PT e da esquerda brasileira, sobre a importância da mobilização do povo brasileiro em um grande movimento popular em defesa de Lula.

Com o chamado enfático de Zé Dirceu neste 13 de dezembro, exatamente um dia após a marcação do julgamento de Lula em Porto Alegre exatamente para a data em que se completa um ano da internação final de Marisa Letícia em decorrência de um AVC, a militância do Partido dos Trabalhadores, dos demais partidos e movimentos de esquerda, e da própria sociedade brasileira começam a se movimentar.

Ao mesmo tempo em que militantes começam a organizar Comitês em Defesa de Lula Brasil afora, tuitaços tornam-se mais frequentes e é grande, já, a mobilização para um grande ato de resistência no dia 24 de Janeiro, Dia da Revolta, em Porto Alegre, onde se anunciam as presenças de várias personalidades do Brasil e do Mundo, como os cantores  Bono Vox e Chico Buarque de Holanda.

Lula e ZD niver

 

 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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