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Em 20 anos, U$ 140 bilhões foram gastos com danos causados por extremos climáticos

Em 20 anos, U$ 140 bilhões foram gastos com danos causados por extremos climáticos

Pesquisadores afirmam que números ainda podem estar subestimados devido à falta de dados de países emergentes.

Por Júlia Mendes/ O Eco

Um estudo publicado na revista Nature Communications concluiu que, de 2000 a 2019, foram gastos, em média, 140 bilhões de dólares em danos causados por tempestades, ondas de calor, secas, deslizamentos e outros eventos climáticos extremos. O estudo também constatou que mais de um bilhão de pessoas foram afetadas por impactos climáticos ao longo de vinte anos.

Essa conta, tanto de custos financeiros quanto humanos, pode ser ainda maior, já que há falta de dados vindo de países em desenvolvimento, dizem os pesquisadores. 

O professor Ilan Noy, da Victoria University of Wellington, na Nova Zelândia, responsável pelo estudo juntamente com Rebecca Newman, afirmou ao The Guardian que, apesar da estimativa principal de 140 bilhões de dólares já ser um grande número, essa referência pode ser um “eufemismo significativo”, devido à falta de dados de pessoas mortas ou danos econômicos em alguns locais. O número de mortes por ondas de calor, por exemplo, só estavam disponíveis na Europa. “Não temos ideia de quantas pessoas morreram devido às ondas de calor em toda a África Subsaariana.”

A pesquisa foi realizada a partir do cruzamento de informações de quanto as agravou os fenômenos meteorológicos e dados econômicos de perdas, tanto de vidas quanto de bens materiais. 

Júlia MendesEstudante de Jornalismo. Fonte: O Eco. Foto de capa: Justin Sullivan/GETTY IMAGES NORTH AMERICA/Getty Images via AFP.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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