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Adeus Rosita, Carla e Michelle Mascarenhas Watkins

Adeus Rosita e suas duas filhas, Carla e Michelle

NOTA DE PESAR

Nós, da , manifestamos nosso profundo pesar pela partida deste mundo  de Rosita Mascarenhas Watkins e suas duas filhas, Carla Mascarenhas Watkins e Michelle Mascarenhas Watkins. As três foram  vítimas de um trágico acidente  de trânsito  no dia 5 de setembro, na rodovia BR-020,   próximo a (GO).  O neto de Rosita,  de apenas 10 anos de idade, foi o único sobrevivente.

Plena de doçura, luz e energia, Rosita marcou presença entre nós  por seu enorme coração, sua inconfundível militância  e por sua generosa hospitalidade –  em sua casa a gente sempre se sentia em nossa própria casa. Companheira de Sydney Possuelo, ex-presidente da Funai, um dos maiores sertanistas e indigenistas brasileiros de todos os tempos, na casa deles as prosas com Rosita e Sydney eram invariavelmente antológicas. 

Sempre cuidadosa com a memória e luta de grandes líderes indígenas,  Rosita conectava as pessoas e por essa razão ela também teve uma relação próxima com a atual presidente da Funai, Joenia Wapichana, que expressou profundo pesar e solidariedade, “Recebeu a gente na casa dela como amigos”, por meio de nota de pesar  publicada pela Funai.

Desnecessário dizer do quanto Rosita era querida, principalmente pelos que conheciam sua luta, razão porque  houve diversas manifestações de organizações e lideranças indígenas do e do mundo, expressando grande pesar por tão inestimável perda. 

Esse trágico acidente trouxe pesar no coração de todas as pessoas amigas de Rosita e suas filhas. Desejamos  que a família encontre conforto neste momento tão doloroso. Desejamos também que seu pequeno neto passe por uma boa recuperação.

Em especial, enviamos nosso abraço solidário ao Sydney, rogando a todas as forças do Universo que dê a ele forças para  superar a dor desta tragédia. Que Sydney possa guardar sempre em seu coração a memória dos  momentos lindos que compartilhou com Rosita. 

Rosita e duas filhas
Rosita Mascarenhas Watkins, Carla Mascarenhas Watkins e Michelle Mascarenhas Watkins.

Equipe da Revista Xapuri Socioambiental – Jornalismo de Resistência.

Respostas de 2

  1. Pesar pela partida trágica das companheiras Rosita mãe e filhas. Deixaram um legado de luta indigenista, neste mundo, e a denuncia silenciosa da violência em nossas estradas.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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