garimpo ameaça xingu
Garimpo no eixo da BR-163, entorno do Parque Indígena do Xingu. André Villas-Bôas / ISA
Garimpo no eixo da BR-163, entorno do Parque Indígena do Xingu. André Villas-Bôas / ISA

Epidemia de garimpo ilegal ameaça o Xingu

Epidemia de garimpo ilegal ameaça o Xingu

O Instituto Socioambiental – ISA -lançou semana passada um estudo sobre e áreas de garimpo abertas ou reativadas em três Terras Indígenas e quatro Unidades de Conservação na bacia do Xingu entre 2018 e todo o ano de 2019. O estudo, feito pelo ISA e pela Rede Xingu +, mostra que apenas entre abril e maio de 2020 foram abertos 562 hectares associadas à exploração garimpeira, totalizando 22 mil hectares de floresta desmatados por conta do garimpo. Leia mais aqui.

Desde o segundo semestre de 2018, o garimpo ilegal ganhou força em novas regiões, ativando áreas que estavam fechadas há mais de 14 anos. Esse é o caso de um garimpo na Resex Riozinho do Anfrísio, no Pará, que foi fechado no ano da criação da UC, em 2004, mas voltou a funcionar em 2019  num  clima de absoluta impunidade.

A exploração garimpeira tem sérios impactos socioambientais. Contamina as águas e o solo, desconfigura o curso dos rios e devasta a floresta, traz invasões, surtos de malária, intoxicação por mercúrio, contágios por doenças, prostituição infantil, tráfico de drogas e de armas, entre outros.

Com a pandemia de Covid-19,  a invasão de garimpeiros apresenta uma nova ameaça: o contágio dos povos indígenas e populações tradicionais em áreas onde é impossível estabelecer barreiras sanitárias e qualquer outra medida de prevenção e atendimento em saúde.

A Terra Indígena Kayapó é a mais impactada pelo garimpo na bacia do Xingu, com 684 hectares desmatados nos primeiros cinco meses de 2020. Não à toa, é a terra indígena do Xingu que apresenta o maior número de casos de contágio e mortes por Covid-19.

A expansão descontrolada do garimpo dentro de Terras Indígenas e Unidades de Conservação de responsabilidade do governo federal, precisa ser controlada antes de consolidar impactos irreversíveis para a floresta, os rios e os povos do Xingu.

Você poderá apoiar esta campanha aqui: Junte-se ao ISA

Fonte: ISA

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana do mês. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN Linda Serra dos Topázios, do Jaime Sautchuk, em Cristalina, Goiás. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo de informação independente e democrático, mas com lado. Ali mesmo, naquela hora, resolvemos criar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Um trabalho de militância, tipo voluntário, mas de qualidade, profissional.
Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome, Xapuri, eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também. Correr atrás de grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, ele escolheu (eu queria verde-floresta).
Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, praticamente em uma noite. Já voltei pra Brasília com uma revista montada e com a missão de dar um jeito de diagramar e imprimir.
Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, no modo grátis. Daqui, rumamos pra Goiânia, pra convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa para o Conselho Editorial. Altair foi o nosso primeiro conselheiro. Até a doença se agravar, Jaime fez questão de explicar o projeto e convidar, ele mesmo, cada pessoa para o Conselho.
O resto é história. Jaime e eu trilhamos juntos uma linda jornada. Depois da Revista Xapuri veio o site, vieram os e-books, a lojinha virtual (pra ajudar a pagar a conta), os podcasts e as lives, que ele amava. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo a matéria.
Na tarde do dia 14 de julho de 2021, aos 67 anos, depois de longa enfermidade, Jaime partiu para o mundo dos encantados. No dia 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com o agravamento da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.
É isso. Agora aqui estou eu, com uma turma fantástica, tocando nosso projeto, na fé, mas às vezes falta grana. Você pode me ajudar a manter o projeto assinando nossa revista, que está cada dia mió, como diria o Jaime. Você também pode contribuir conosco comprando um produto em nossa lojinha solidária (lojaxapuri.info) ou fazendo uma doação via pix: contato@xapuri.info. Gratidão!
Zezé Weiss
Editora

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