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Há 50 anos: A morte de um estudante desestabilizou os alicerces da ditadura

Há 50 anos: A morte de um estudante desestabilizou os alicerces da ditadura –

Por: Alexandre Santos

Como disse Marx: “Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado. A tradição de todas
as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos”.

No primeiro parágrafo de ‘O 18 Brumário de Luís Bonaparte', Karl Marx lembra que Hegel disse que os fatos e personagens de grande importância da história do mundo se repetiam duas vezes. No mesmo parágrafo, Marx completa que a história
acontece “a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”.

E, seguindo tal frase, analisamos o golpe de estado mais proeminentes foram: a revolução de 1930, que levou Getúlio ao poder; sete anos depois, outro Golpe de Getúlio junto com o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), decretando a
ditadura do Estado Novo (1937); A derrubada de Getúlio, em 1945, depois de um
golpe dos militares que o próprio Getúlio nomeou.

Em 1954, eleito com o voto popular, Getúlio deu um tiro no próprio peito, para evitar um golpe militar inevitável dez anos depois. E, a mais famosa tragédia e farsa da nossa história recente, o golpe de 1º de abril de 1964. A repetição do golpe, por Getúlio, fora a farsa… E, assim, a história se repete.

As revoluções são como os vulcões, têm os seus dias de chamas e os seus anos de fumaça.

Há 50 anos, o estudante “secundarista Edson Luís de Lima Souto“, então com 17 anos, foi morto pela Polícia Militar do Rio de Janeiro. Edson era um dos 300 estudantes que jantavam no restaurante estudantil do Calabouço no final da tarde de 28 de março de 1968 quando o local foi invadido por policiais, em meio à tensão do quarto ano da  no .

A mobilização em torno da morte do estudante foi o estopim para a primeira grande manifestação pública daquele ano, que culminaria três meses depois na Marcha dos 100 mil.

Os aumentos das manifestações públicas levaram a um endurecimento por parte do governo Costa e Silva naquele ano que culminou com a edição do Ato Institucional 5 (AI-5) ficou marcado na história da nossa nação não só se empunhava como um instrumento de intolerância muitos que iam contra as ideologias do governo eram torturados e presos sem direito a defesa, como referenciava uma concepção de modelo econômico em que o crescimento seria feito com “suor, lágrimas e sangues”.

As imagens do enterro de Edson Luís feitas pelo cineasta Eduardo Escorel foram recuperadas recentemente e podem virar um documentário. Cerca de 50 mil pessoas acompanharam o trajeto do corpo da Assembleia Legislativa do Rio, onde foi velado,
até o Cemitério São João Batista, onde aconteceu o enterro. Os integrantes da Frente Unida dos integrantes do Calabouço (FUEC) preparavam mais uma das inúmeras manifestações que vinham acontecendo naquele ano, quando foram surpreendidos pelos policiais.

Edson Luiz joRNAL Panis Cum Ovum Blogspot

ANOTE AÍ:

Fonte:
https://observatorioveiasabertas.com.br/colunistas/ha-50- anos-morte- de-um-
estudante-que- desestabilizou-os- alicerces-da- ditadura/

Referência:

https://theintercept.com/2018/02/28/mataram-um- estudante-ele- podia-ser- seu-filho- ha-
50-anos- um-assassinato- comoveu-o- brasil-e- se-fosse- hoje/

http://guebala.blogspot.com.br/2012/03/28-de- marco-de- 1968-mataram- um.html

Fotos: Acervos históricos

Matéria gentilmente enviada por Alexandre da Silva Santos alexandresantos_al@hotmail.com,  Portal de notícias Observatório Veias Abertas.

Edson Luís Pinterest

 

eDSON LUIZ UOL Notícias

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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