Gaiolas, não! A solidão dos pássaros

Gaiolas, não! A solidão dos pássaros aprisionados pela ignorância humana

Em sã consciência você não aprisionaria alguém inocente, correto? Não o imputaria culpa e nem obrigaria a alguém cumprir uma pena, sem ter cometido crime algum, mesmo porque, você não é um juiz e muito menos um carcereiro, correto?

Por Jota Caballero

Mas, é o que vemos diariamente pendurados em janelas, pessoas transportando  suas gaiolas, levando seus para pegar o sol de manhã, insano não?  Sim, se pararmos para refletir sobre essas pequenas atitudes danosas a outros, e nos colocássemos no lugar desses, talvez agiríamos com mais senso de e reconhecimento, e o principal, compaixão.  Falta de total empatia.
Muitos de nós ou a grande maioria, age mecanicamente, por costumes e culturas primitivistas,  sem ao menos se questionar das insanidades que promovemos todos os dias, em um balé cruel e desproporcional a “racionalidade” que carregamos  dentro de nós.
 
Racionalidade, não quer dizer sobriedade, não quer dizer lucidez, e através disso, chegamos ao ponto que também não quer dizer justiça. Tirar um passarinho possuidor de asas da e o enclausurar dentro de uma gaiola de 30×40, onde resume sua a nada, só tem um significado, crueldade.
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Engaiolar pássaros, você está privando o de usar sua principal característica que a existência lhe deu, voar, e isso já fere todo contexto existencial desse ser, que tem sua vida amputada, e sua maior qualidade que a natureza sabiamente lhe destinou e lhe deu sentido, o que deve ser maravilhoso,  além de dispersar ,  fazendo a polinização, assim, espalhando pólen colhidos das por onde voam, em um natural e equilibrado processo de semear vida por onde passa.
 
Você que está lendo esse , lembre-se que,  ao ver um pássaro em gaiola, saiba que não é vida, e que seu tutor é meramente um carcereiro e ao mesmo um juiz, que trancafia e o condena à prisão perpétua.  Se você concorda com esse texto e acha interessante a colocação, compartilhe para que mais pessoas acordem para essa crueldade, e ajudem a libertar esses seres angelicais que além de nos proporcionar vida, nos embeleza a natureza e os sons dela.

Fonte: Jota Caballero

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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