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Nonô e Letice: artesãs-licoreiras produzem o primeiro licor nobre do Cerrado

Nonô e Letice:  artesãs-licoreiras produzem o primeiro licor nobre do Cerrado

Em Goiânia, em uma área arborizada que fica ao lado do Estádio Serra Dourada, todo domingo as artesãs-licoreiras Nonô e Letice Noleto vendem o seu famoso licor de pequi na Feira do Cerrado. Jornalista de profissão, Laurenice Noleto, a Nonô, deixou a vida corrida das redações para se dedicar a fazer e vender licores deliciosos com o cheiro, o gosto e a identidade do Cerrado.

Por Zezé Weiss

O carro-chefe da produção de Nonô e da irmã Letice, estruturada na microempresa Noleto Licores, é o licor de pequi com chocolate, que Nonô chama de Amarula do Cerrado. Ao acrescentar a uma receita tradicional de licor de chocolate o cheiro e o sabor exótico do pequi, Nonô e Letice criaram um licor de gosto único com a cor e a textura do famoso licor Amarula da África. Nasce, assim, no dizer de Nonô, “o primeiro licor nobre do Cerrado Brasileiro”.

A Noleto Licores também produz vários outros licores com os sabores das frutas do Cerrado, incluindo os de pequi puro, jabuticaba e figo. A técnica de produção, 100% artesanal, as irmãs herdaram de sua ancestralidade italiana, cuja genealogia remonta a um cidadão batizado como Giovane Noceto, na vila de Pontremoli, junto à cidade de Massa, no ano de 1.370.

Em um cuidadoso processo de pesquisa, as irmãs resgatam e reeditam, com um toque inovador, as receitas encontradas nos baús de suas avós e bisavós, chegadas ao Brasil desde o final do século XIX.   Os sabores únicos dos licores de Nonô e Letice abrem oportunidades também únicas de geração de ocupação e renda para as famílias coletoras de frutos do Cerrado.

Nonô explica que trabalha em parceria com as populações moradoras de áreas de Cerrado, “o que valoriza a pequena economia das famílias agricultoras da região”, ou seja, os licores da Noleto Licores contribuem para o fortalecimento da chamada economia autossustentável do Cerrado. “Além de criativo e prazeroso, nosso trabalho valoriza as culturas tradicionais do Cerrado. É também preservação”, diz Nonô.

O esmero na produção se estende também às embalagens. Os licores da Nonô e da Letice são entregues em lindas caixas artesanais de tamanhos variados, pintadas à mão por elas mesmas com as cores, formas e flores do Cerrado. A cada caixa, além dos potinhos de barro que substituem os tradicionais cálices, as irmãs acrescentam um belíssimo alfenin também de produção própria (pombinha branca de cerâmica fria, que remete aos famoso alfenin, doce típico da Cidade de Goiás), que leva nas asas os esperançosos versos da poetisa Cora Coralina: “Recria tua vida, sempre, recomeça”. 

ONDE ENCONTRAR OS LICORES DA NONÔ E DA LETICE

A Noleto Licores faz parte da Associação dos Artesãos de Goiás, que, além da venda dos produtos em sua loja (Avenida Goiás nº 1.613, Centro, Goiânia – Fone (62) 3095-2684), possibilita aos seus associados a emissão de nota fiscal, legalizando e apoiando a comercialização de produtos, e participa ativamente dos projetos Expoarte, no Flamboyant Shopping Center, e de outro projeto associativista no Buriti Shopping, ambos de Goiânia, onde expõe e comercializa seus licores, juntamente com cerca de 30 outros artesãos e artesãs.

Além da venda na Feira do Cerrado, organizada em uma Associação, reconhecida como ponto de cultura, e a única em todo o estado de Goiás que trabalha exclusivamente com produtos artesanais, os produtos da Noleto Licores podem ser adquiridos diretamente na casa-fábrica: Rua Paquetá, q.05, L.09, Jardim Vitória 1 – Goiânia-Goiás – CEP 74.865-260.

Mais informações: Letice: (62) 8253-8674. Nonô: (62) 3281-7184, 9265-5611, ou via e-mail: noleto.licores@gmail.com


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revista 115

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

 

3 respostas

  1. Patrícia, os licores da Nonô são uma riqueza de Goiás e do Brasil! Continue acompanhando nossas publicações! Feliz Natal!

  2. Me orgulho muito do trabalho realizado por minha mãe Letice e minha tia Nonon. O amor e carinho colocado em cada garrafa, espalha a alegria a quem quer prove esse licor. Impossível não sentir o alto astral e se deliciar no sabor exótico dos Licores Nolêto.

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