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Golpe contra Dilma: Virada decisiva na história brasileira

Golpe contra Dilma: Virada decisiva na história brasileira

Na guerra híbrida, a nova forma dos golpes da direita, o golpe contra a Dilma foi decisivo. Foi a forma de ruptura institucional da democracia, corroendo a democracia por dentro.

Por Emir Sader

Da mesma forma que o golpe de 1964 foi gestado muito antes, com a fundação da Escola Superior de Guerra, no final dos anos 1940, o golpe contra Dilma tem seu antecedente mais importante alguns anos antes, com as mobilizações de 2013.

Elas foram apropriadas pela direita, com sua mídia tendo um papel essencial para reverter as reivindicações iniciais, para impor a luta contra a política e contra a corrupção.

Essa desqualificação da política foi retomada nas mobilizações de 2015, na preparação do golpe de 2016. Contra a política era contra o PT, contra os governos do PT.

Ali, na ruptura da democracia, com um impeachment sem nenhuma razão legal e constitucional, tiveram início as tragédias que o Brasil vive hoje. Rota a democracia, já não era a vontade da maioria, mas a manipulação minoritária das elites, que passaram a prevalecer. 

O governo Temer, ao contrário dos governos Lula e Dilma, não foi produto da votação majoritária dos brasileiros, mas de um golpe, que tirou uma presidenta reeleita pela maioria dos votos da população, para colocar no seu lugar um vice, reeleito com um programa e que colocou em prática o programa derrotado da oposição.

Se faltasse algo para caracterizar que foi um golpe contra a democracia, está aí essa virada para retomar o neoliberalismo, derrotado quatro vezes em eleições democráticas.

Emir Sader – Sociólogo. Membro do Conselho Editorial da Revista Xapuri

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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