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#SomosTodosGoyases: Nota de Pesar

Com imensa tristeza, nós da Xapuri endossamos a nota de solidariedade do Sintego aqui apresentado e nos somamos no pesar pela morte de dois estudantes e pelo ferimento de pelo menos outros quatro, por um aluno colega, de 14 anos, que abriu fogo dentro da sala de aula, com uma pistola 0.40, no Colégio Goyases, em Goiânia, na manhã desta sexta-feira, 20 de outubro.

Desejamos paz e solidariedade para os pais, familiares, professores e professoras, amigos e amigas das crianças envolvidas e sentimos muito pelo triste acontecimento no colégio.

NOTA DE SOLIDARIEDADE DO SINTEGO

Em nome do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Goiás – Sintego, a presidenta, Bia de Lima, manifesta o mais profundo pesar pelos óbitos de duas crianças (12 e 13 anos) ocorridos durante o tiroteio no Colégio Goyases, em Goiânia, na manhã desta sexta-feira (20), que deixou também, pelo menos, outros quatro feridos.

Nossa solidariedade se estende às famílias e amigos da vítimas que foram baleadas e aos demais colegas colegas d profissão que presenciaram o ataque.

Apesar do tiroteio ter acontecido dentro de uma unidade de ensino particular, compartilhamos da dor, e nos solidarizamos também com os companheiros do Sindicato dos Professores do Estado de Goiás -Sinpro.

É importante que, em momentos de tristeza, dor e pesar como este, que toda a sociedade, poder público, pais e alunos se atentem para a violência dentro das escolas.

Este episódio lamentável e covarde, deve servir de lição para que investimentos sejam realizados também fora dos muros das escolas, onde a segurança pública deve atuar, para impedir que mais ataques como este venham a acontecer, resguardando, assim, a segurança de alunos e profissionais que atuam dentro das escolas, bem como toda a sociedade, que acaba ficando refém da violência.

Nossa solidariedade às famílias e amigos das vítimas neste momento de dor.

SINTEGO

nota Sintego

 

 

 

 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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