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Hortas Urbanas

HORTAS URBANAS: MAIS VERDE, MENOS LIXO

HORTAS URBANAS: MAIS VERDE, MENOS LIXO

Enxada na mão, facão e pás. Essas foram as ferramentas que nos ocuparam no último domingo de novembro de 2014. O gramado de aproximadamente 30 m² em frente ao Bloco B da quadra 210 Norte ganhou vida com o plantio. Éramos 10 pessoas em torno de uma ideia simples: vitalizar o espaço e cultivar alimentos. Para completar, teríamos também espaço para compostar o lixo orgânico produzido por nós.

Por Daniel Caltabiano

Cada participante trouxe sementes, mudas e bastante disposição. O gramado público ganhou bananeiras, limoeiro, pé de pitanga, mandioca, cenoura, cebolinha, framboesa, pé de romã, ipê do cerrado e lírios. Algumas pessoas também trouxeram lixo orgânico de suas casas, e o mesmo foi colocado sobre os canteiros e coberto com uma boa camada de matéria orgânica, conseguida cortando o mato do próprio local.

A experiência da compostagem de lixo não é nova. Há 6 meses vem sendo realizada em uma horta de aproximadamente 10 m² da área verde da quadra. Cerca de 120 litros de lixo orgânico praticamente “desaparecem” lá todos os meses. O pequeno ecossistema local faz a mágica de transformar lixo em terra fértil e logo em seguida em comida fresca – e orgânica! A produção já rendeu alecrim, capim-santo, erva-cidreira, melancia, abóbora, cará do ar, hortelã, couve, tomate, alface, boldo e capuchina.

Como fazemos:

Separamos em casa o lixo orgânico, em sua maior parte cascas de frutas e restos de vegetais. Por enquanto, não colocamos nada de carne ou derivados de leite, porque possuem uma decomposição mais complicada. A cada dois dias, depositamos o lixo ao redor do plantio e o cobrimos com uma boa camada de folhas secas, grama cortada, ou serragem (que se consegue praticamente de graça em madeireiras). Pronto, o lixo some! Sem cheiro ofensivo, sem atrair doença, sem encher lixão. E os únicos bichos que o lixo atrai nessas condições são as minhocas e outros decompositores saudáveis. A terra seca, vermelha e dura vai-se transformando em terra preta, super nutritiva. E a gente passa a ter nenhum gasto com adubo.

Cuidar da nossa cidade não é nada mais do que cuidar da nossa casa. Afinal, seus espaços verdes e ruas são uma extensão de nosso lar. Iniciativas de hortas urbanas como essa têm se multiplicado nos últimos tempos e vêm ganhando a adesão de mais e mais pessoas. Vários grupos já estão organizados em redes sociais e podem ser encontrados facilmente buscando-se por “horta urbana” ou “horta comunitária”.

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2 respostas

    1. Oi Camilla, entre em contato com o autor da matéria: Daniel Caltabiano, no facebook. Tenho certeza que ele te oferecerá algumas boas dicas para começar.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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