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Investimento em renováveis precisa ser 2,5 vezes maior para zerar emissões até 2030

Investimento em renováveis precisa ser 2,5 vezes maior para zerar emissões até 2030

Novo relatório da Agência Internacional de Energia diz que meta de em 1,5ºC está saindo do alcance, apesar de renováveis a manterem viva.

Por Cristiane Prizibisckzki/O Eco

A Agência Internacional de Energia publicou, nesta terça-feira (26), um relatório atualizado sobre as tendências no setor de energia no nível global com dados sobre o que é necessário para atingir a meta de emissões líquidas zero na próxima década. O recado é claro: os incentivos à transição energética cresceram, mas será preciso colocar duas vezes mais dinheiro nas renováveis para conseguir o chamado Net Zero.

Segundo o documento, chamado de “Roteiro Net Zero” (Net Zero RoadMap), o mundo deverá investir um valor recorde de 1,8 trilhão de dólares em em 2023. Para estar no caminho traçado das emissões líquidas zero, esse valor precisa subir para cerca de 4,5 trilhões por ano até o início da década de 2030.

Apesar disso, a IEA (na sigla em inglês), é otimista. Ainda que a meta de aquecimento de 1,5ºC – acordada entre as nações no – esteja saindo do alcance, o crescimento da energia renovável a mantém viável. 

“Manter vivo o objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5 ̊C exige que o mundo se reúna rapidamente. A boa notícia é que sabemos o que precisamos fazer – e como fazê-lo. Nosso Roteiro Net Zero 2030, baseado nos dados e análises mais recentes, mostra um caminho a seguir”, disse o Diretor Executivo da IEA, Fatih Birol. “Mas também temos uma mensagem muito clara: uma cooperação internacional forte é crucial para o sucesso. Os governos precisam de separar o clima da geopolítica, dada a escala do desafio em que têm nas mãos.”

Além do maior investimento, o Net Zero Roadmap destaca outras ações que precisam ser feitas para alcançar a meta de zerar o lançamento de gases poluentes na atmosfera. Entre elas está a redução de 80% das emissões nas economias avançadas e 60% nos mercados emergentes até 2035, em comparação com o nível de 2022.

Além disso, o trabalho salienta que todos os países do globo precisam antecipar suas metas de emissão zero. A meta brasileira, recentemente anunciada, fala em redução de 53% das emissões em 2030. 

Boas notícias

Segundo a Agência Internacional de Energia, a demanda por carvão, petróleo e gás natural vai atingir o pico ainda nesta década, com redução progressiva nas seguintes, devido à velocidade da implantação das principais tecnologias de energia renovável em curso.

Assim como a demanda por combustíveis fósseis, as emissões de dióxido de (CO2), principal gás de efeito estufa, vai atingir seu pico também nesta década, decaindo posteriormente.

Os desenvolvimentos positivos dos últimos dois anos incluem instalações de fotovoltaica e venda de carros elétricos. Os veículos elétricos, junto com as bombas de calor – para aquecimento predial – vão impulsionar a eletrificação de todo sistema energético, proporcionando quase um quinto das reduções de emissões até 2030.

A bioenergia, o hidrogênio verde e as tecnologias de armazenamento de carbono também aparecem no relatório da IEA, mas, segundo a organização, é necessário ainda um grande progresso no desenvolvimento e uso dessas tecnologias.

“Remover carbono da atmosfera é muito caro. Devemos fazer todo o possível para parar colocá-lo lá em primeiro lugar. O caminho para 1,5 ̊C estreitou-se nos últimos dois anos, mas as tecnologias de energia limpa mantêm-no aberto. Com a construção de impulso internacional por trás de metas globais importantes, como triplicar a capacidade renovável e duplicar a eficiência energética até 2030, que em conjunto levariam a um declínio mais forte na procura de combustíveis fósseis nesta década, a COP 28 se torna uma oportunidade vital para nos comprometermos com uma ambição e implementação mais fortes nos anos restantes desta década crítica”, finalizou o diretor-executivo da IEA.

Cristiane PrizibisckzkiJornalista. Fonte: O Eco. Foto: Ina Fassbender/AFP.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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