Buchada – Todas as vísceras devem ser muito bem lavadas, esfregadas com limão e temperadas com cebola, coentro, cebolinha, vinagre e sal, o tempero básico de tudo

Por Rachel de Queiroz

Com o estômago, raspado por dentro e bem limpo, faz-se um saco, que se recheia com a tripa, muito bem temperada e raspada miudinho. Essa tripa já deve ter sido esvaziada, virada pelo avesso com o auxílio de uma vara fina e bem lavada.

Todas as vísceras devem ser muito bem lavadas, esfregadas com limão e temperadas com cebola, coentro, cebolinha, vinagre e sal, o tempero básico de tudo.

Do caldo cozido faz-se o pirão escaldado (bem mole), que acompanha as carnes.  O que for cozido, serve-se com pirão; as partes assadas, com arroz e farofa.

Os caprinos (bode castrado) são menos apreciados que o carneiro, mas são mais frequentes no cardápio diário do sertanejo. O bode que os matutos chamam “o come de pobre” é a carne mais acessível de que se dispõe lá.

O roubo de bode é dos mais comuns do sertão, já que não se costuma “asssinar” o caprino com um corte nas orelhas, assim como se faz com as ovelhas.

Nas nossas fazendas não é comum abater-se um boi, salvo nas grandes festanças, como vaquejadas ou alguma comemoração especial.

Rachel de Queiroz – Escritora, em O Não Me Deixes – Suas Histórias e Sua Cozinha, Editora Sicicliano, 2000.

 

 



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