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Lula sobre a Ucrânia: “Divergências devem ser resolvidas na mesa de negociação”

Lula sobre a Ucrânia: “Divergências devem ser resolvidas na mesa de negociação” 

Lula sobre a Ucrânia: “Divergências devem ser resolvidas na mesa de negociação”

Segundo Lula, o Conselho de Segurança da ONU precisa ser reformulado para que o organismo tenha mais forças para evitar conflitos armados…
 

Lula comentou, nesta quinta-feira (24), durante entrevista às rádios Supra FM e 103,5 FM, de Goiás e do Distrito Federal, o conflito entre Rússia e Ucrânia. Para o ex-presidente, uma nova guerra é inaceitável, e a situação revela a necessidade de uma reformulação da Organização das Nações Unidas (ONU), em especial do Conselho de Segurança (veja trecho abaixo e a íntegra da entrevista ao fim da matéria).

“É lamentável que, na segunda década do século 21, a gente tenha países tentando resolver suas divergências, sejam territoriais, políticas ou comerciais, através de bombas, de tiros, de ataques, quando deveriam ter sido resolvidas numa mesa de negociação”, afirmou.

Lula acrescentou que, infelizmente, grandes potências militares insistem em abandonar as negociações com frequência. “A gente está acostumado a ver que as potências, de vez em quando, fazem isso sem pedir licença. Foi assim que os Estados Unidos invadiram o Afeganistão, invadiram o Iraque. Foi assim que a França e a Inglaterra invadiram a Líbia. E é assim que a Rússia está fazendo com a Ucrânia. É importante que essas pessoas aprendam que a guerra não leva a nada, a não ser a mais destruição, mais desemprego, mais desespero, mais fome. O ser humano tem que criar juízo e resolver suas divergências numa mesa de negociação, nunca num campo de batalha”, defendeu .

Para o ex-presidente, o conflito revela a necessidade de a ONU ampliar a representatividade dos países. “Acho importante a gente repudiar mais uma guerra, desnecessária, que poderia ter sido resolvida, inclusive, se a ONU tivesse mais representatividade, mais força. Não adianta o secretário-geral ir para a televisão lamentar. Era importante que a ONU tivesse agido sistematicamente para evitar que acontecesse essa guerra”, disse Lula.

Na avaliação do ex-presidente, as Nações Unidas precisam levar em conta que a geografia política do mundo mudou desde 1948, quando o organismo internacional foi criado. “É preciso colocar mais países para participar do Conselho de Segurança, não pode ser apenas cinco(com assento permanente). É preciso ter representação da África, da América Latina, que participem a Índia, o Japão, a Alemanha… É importante que a gente coloque novos países e aumente a capacidade de governança da ONU. Que não seja uma instituição apenas decorativa, mas que tome decisões efetivamente”, argumentou.

 

Desarmonia também no Brasil

Lula criticou também a desarmonia que o país vive devido às mentiras e ao discurso de ódio de Jair Bolsonaro. “Quando você tem um presidente que só gosta de atacar, não gosta de conversar, que não conversa com sindicatos, empresários, mulheres, negros, índios, quilombolas, estudantes, reitores universidades, para que serve esse presidente? No nosso caso, só serve para contar mentiras, segundo o UOL, sete mentiras por dia. A última grande mentira que ele contou foi a de que foi à Rússia para promover a paz. E ainda diz ‘eu consegui’. Até em coisas sérias como essa ele é capaz de mentir.” 

Segundo Lula, o Brasil não precisa de um presidente desse tipo. “O povo precisa de alguém mais humano, com mais sentimento, mais coração, mais fraternidade, mais humanismo. Alguém que pense em distribuir livro na escola e não distribuir armas. Alguém que fale mais em amor e não em ódio. Como você vai reconstruir o país para viver de forma mais harmônica com todo esse ódio que está sendo destilado?”, questionou.

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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