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Luto: uns lutam em silêncio, outros esbravejam sua luta

Luto: uns lutam em silencio, outros esbravejam sua luta

Por Delia Santos

Tem gente lutando para sobreviver.
uns lutam em silencio,
outros esbravejam sua luta.
Lutas,
Luto.
Uns lutam,
Outros estão em luto;
Luto pelos entes queridos que tiveram o
cronometro da vida zerado.
Zerada estão as forças para continuar
lutando nesse mundo.
Eu luto,
você luta,
nós lutamos.
Porém não queremos estar em luto,
na verdade estamos,
pois os valores estão moribundos,
a paz está sendo empurrada num precipício,
o respeito pela vida está sendo sepultado.
Luta…
Luto…
Estamos em luto ou lutando?

——————————————————————————————————————————-

Meu nome é Adélia Santos (Délia), mulher negra, descendente de quilombolas da região do sudoeste da Bahia. Atualmente resido em Salvador e faço Psicologia da Ufba. A arte sempre me acompanhou e por conta de alguns problemas emocionais, me refugiei nela para sobreviver…a arte é vida! Não gosto de padrões, gosto de experimentar, testar e sou apaixonada por fotografia também. Além disso, gosto de colocar meus sentimentos no papel também.   Segue abaixo fotos de meu trabalho e o link de uma página que posto minhas fotos e o link de blog de desabafos escritos por mim.   Fotografias: https://www.flickr.com/cameraroll Blog: https://deliasssilva2012.blogspot.com.br/

Fonte: Blogueiras Negras


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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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