A Lenda da Chuva: “O céu fica na cabeça de um sapo grande”

Por Tarinu Yudjá

Eu pensava: por que a chuva tem água?

Perguntei ao meu pai, ele me falou

que a água é quem faz a chuva,

que a chuva tem gelo.

Ficava pensando:

o que tem na chuva que faz barulho?

Será que é o pai da chuva?

Eu pensava: o que segura o céu?

Meu pai me disse:

o céu fica na cabeça de um sapo grande.

Eu pensava: quem fez água?

Essa água é trabalho de nosso pai.

Essa água fica no seco igual garrafa.

Daí eles bateram na garrafa, ele quebrou e virou água.

Tarinu Yudjá – Escritor e professor indígena em “Geografia Indígena”. MEC-SEF-ISA, 1996.


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Você sabia?

Povos do Xingu são os povos indígenas do Brasil que vivem próximo ao rio Xingu, no estado do Mato Grosso. Eles têm muitas semelhanças culturais, apesar de terem etnologias diferentes. Os povos do Xingu representam quinze tribos e quatro grupos linguísticos indígenas diferentes, mas eles compartilham sistemas de crenças, rituais e cerimônias similares. A região do Alto Xingu foi povoada antes do contato com os europeus e africanos. Assentamentos densamente povoados desenvolveram-se entre 1200-1600 d.C. Estradas e pontes antigas ligavam comunidades que muitas vezes eram cercadas por valas ou fossos. As aldeias eram pré-planejadas e contavam com praças circulares. Até 2011, dezenove aldeias foram desenterradas por arqueólogos. 

Os brasileiros irmãos Villas-Bôas visitaram a área início de 1946 e lutaram pela criação do Parque Indígena do Xingu, que foi criado em 1961. O número de povos do Xingu vivendo nessa área em 32 assentamentos subiu novamente para mais de 3.000 habitantes, metade deles com menos de 15 anos de idade.

A vida dos Xingu nesta região têm hábitos semelhantes e sistemas sociais, apesar de diferentes idiomas. Especificamente, eles consistem dos povos indígenas seguintes: Aueti, Calapalo, Camaiurá, Caiapó, Cuicuro, Matipu, Meinaco, Nahukuá, Suyá, Trumai, Uaurá e Iaualapiti.

(Fonte do texto sobre povos do Xingu: Wikipédia)


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