A última pesquisa Datafolha diz que ele tem ainda 51% de apoio junto a opinião pública. Mas o percentual, é bom lembrar, foi aferido quando apresentado ao lado de ministros do governo Bolsonaro cuja popularidade é assustadoramente baixa. O presidente, segundo o mesmo instituto, tinha seu prestígio na casa de 29% que o consideravam bom ou ótimo.
Porque disse SIM também a um esforço hercúleo para livrar a família Bolsonaro de toda e qualquer investigação sobre corrupção, SIM para não investigar milícias, e SIM para não capturar Queiroz. Além disso, não tem merecido apoio diante de decisões que o presidente deveria confiar-lhe. O último tiro no peito foi disparado hoje com a demissão do diretor da Polícia Federal – Maurício Valeixo – indicado por Moro.
Sem prestígio junto ao Planalto, e mesmo assim vendo sua força política escorrer, Moro não terá outra alternativa a não ser pedir demissão para escapar de uma humilhação pública adiada lá no passado – quando do vazamento.
Afora o fogo governamental, Moro ainda pena com a Vaza-Jato. Divulgados pelo The Intercept Brasil, vazamentos revelam uma faceta que o público desconhecia: quando juiz era dado a fazer conchavos com o Ministério Público para manipular depoimentos e levar políticos à condenação – como no caso mais simbólico da Lava-Jato envolvendo o presidente Lula.
Moro é, neste momento, um sujeito desmoralizado, trôpego e sem energia que caminha pela Esplanada dos Ministérios olhando para o relógio. Sabe que a hora da demissão chegará. Se será enquanto o seu algoz, o presidente Bolsonaro, está no hospital ou após sair, é a única dúvida que lhe resta.
Buscará abrigo nos braços de Dória Júnior que o quer como vice em uma chapa encabeçada por ele nas próximas eleições presidenciais.
O que será de Moro até lá? Quem arrisca um palpite? Eu não.





