Movimento Food Truck

Movimento Food Truck – Gastronomia Sobre Rodas

Prática milenar (isso mesmo, milenar), a comida de rua sempre foi considerada como uma culinária deliciosa, porém pouco nutritiva e de qualidade inferior às opções servidas nos restaurantes.

Por Eduardo Pereira

Churro, churrasquinho e cachorro-quente são algumas das opções típicas que estão no imaginário das pessoas quando se pensa em comida de rua. Essa tradição está prestes a mudar: A febre de food trucks que tomou conta dos Estados Unidos nos últimos anos chega com força e começa a deixar sua marca também aqui no Brasil.

Conhecidos como pequenos restaurantes móveis, os trailers se movimentam pela cidade sem local fixo, oferecendo lanches deliciosos e fáceis de comer (regra de ouro da comida de rua: se precisar de um lugar pra se apoiar, não é comida de rua) com uma cara mais gourmet. O espaço limitado exige cardápios que costumam ser reduzidos e mais criativos, em geral com três pratos principais, porém com ingredientes de melhor qualidade, normalmente só encontrados nos locais que podem pagar um chef.

Os food trucks começaram em Los Angeles, nos EUA, com o surgimento de trailers de comida comandados por chefs de cozinha vindos da alta gastronomia. Dos primeiros, talvez o mais conhecido seja o de Roy Choi, que montou um trailer e percorria a cidade servindo pratos atípicos, que misturavam elementos da culinária coreana e mexicana.

grastronomia-criativaO sucesso inesperado do chef Roy Choi inspirou uma legião de pessoas que se tornaram adeptas do movimento.
Brasília recebeu seu primeiro food truck em 19 de outubro de 2013, quando Daniel Gurgel, chef executivo do bistrô 4doze e responsável pelo evento culinário ao ar livre “D’gust”, decidiu motorizar seu projeto de comida de rua. Desde então, algumas noites por semana, seu trailer “Chili na Rua – Latin Food” pode ser encontrado em festas, eventos e em endereços da cidade. O “Chili na Rua” oferece pratos típicos latinos, como o guacamole mexicano, o ceviche peruano, as arepas colombianas e os brasileiríssimos chips de mandioca, uma adaptação dos nachos latinos.

Para Gurgel que, após conceder entrevista à Xapuri em Brasília, seguiu direto para o 1º Encontro Nacional de Food Trucks no Brasil (31/01 e 01/02 – Parque Lage – Rio de Janeiro), há diversos atrativos para um chef de cozinha montar um truck: “Com o truck você tem o contato direto com o público, você tá na rua, você tá sempre em um lugar diferente. Isso proporciona um retorno muito maior no sentido emocional, pois o prato é parte da alma. É uma sensação muito legal. E há atrativos econômicos. Você trabalha com um volume maior, você vende mais e tem um retorno muito mais alto”.

Daniel explica que, “com os trailers, há mais facilidade do chef se expressar criativamente, há um cardápio que costuma ser de três pratos, que é um quadro negro, e ele pode ser alterado todo dia. Com a proximidade do cliente, fica mais fácil ver o que está fazendo sucesso ou não.

Se não estiver legal, a gente troca. No food truck você não vai vender cachorro-quente, espetinho você vai fazer algo diferente… e, para as pessoas que costumam esperar não mais do que 15 a 20 minutos por seus produtos, o food truck torna-se um evento social”.
Com base nos negócios dessa nova forma de economia criativa, recém-organizados em uma associação que começa 2015 com 12 membros no DF, observa-se que há a necessidade do estabelecimento de critérios para trabalhar com um food truck: “Em primeiro lugar, a originalidade. Não pode ser clichê, tem que ser algo diferente.

Também requer uma identidade visual, uma marca bem estabelecida, estar dentro das normas da vigilância sanitária, com pessoal capacitado e uniformizado, e ter um trailer ou caminhão,” completa Daniel Gurgel.

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http://xapuri.info/truck-driver-strike-in-brazil-hunger/

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana do mês. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN Linda Serra dos Topázios, do Jaime Sautchuk, em Cristalina, Goiás. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo de informação independente e democrático, mas com lado. Ali mesmo, naquela hora, resolvemos criar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Um trabalho de militância, tipo voluntário, mas de qualidade, profissional.
Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome, Xapuri, eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também. Correr atrás de grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, ele escolheu (eu queria verde-floresta).
Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, praticamente em uma noite. Já voltei pra Brasília com uma revista montada e com a missão de dar um jeito de diagramar e imprimir.
Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, no modo grátis. Daqui, rumamos pra Goiânia, pra convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa para o Conselho Editorial. Altair foi o nosso primeiro conselheiro. Até a doença se agravar, Jaime fez questão de explicar o projeto e convidar, ele mesmo, cada pessoa para o Conselho.
O resto é história. Jaime e eu trilhamos juntos uma linda jornada. Depois da Revista Xapuri veio o site, vieram os e-books, a lojinha virtual (pra ajudar a pagar a conta), os podcasts e as lives, que ele amava. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo a matéria.
Na tarde do dia 14 de julho de 2021, aos 67 anos, depois de longa enfermidade, Jaime partiu para o mundo dos encantados. No dia 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com o agravamento da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.
É isso. Agora aqui estou eu, com uma turma fantástica, tocando nosso projeto, na fé, mas às vezes falta grana. Você pode me ajudar a manter o projeto assinando nossa revista, que está cada dia mió, como diria o Jaime. Você também pode contribuir conosco comprando um produto em nossa lojinha solidária (lojaxapuri.info) ou fazendo uma doação via pix: contato@xapuri.info. Gratidão!
Zezé Weiss
Editora