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MULHERES EDUCADORAS: AMAR O MUNDO E MUDAR A SOCIEDADE NOS INTERESSA MAIS

MULHERES EDUCADORAS: AMAR O MUNDO E MUDAR A SOCIEDADE NOS INTERESSA MAIS

Feliz aquele[a] que transfere o que saber e aprende o que ensina.” Cora Coralina

Por Rosilene Corrêa

Neste março, mês das mulheres, rendo minhas homenagens às mulheres que, em uma luta que não vem de hoje, investiram na educação como uma forma de mudar a sociedade para, aprendendo e ensinando, fazer deste nosso planeta um mundo mais justo, mais terno e mais solidário.

Conta a história que Madalena Caramuru, do povo Tupinambá, foi a primeira mulher alfabetizada em terras brasileiras, entre 1534 e 1561. E que, logo em seguida, por volta dos anos 1570-1580, Branca Dias, portuguesa perseguida pela Inquisição, fundou no Recife a primeira escola de meninas do Brasil. Teria sido Branca Dias a primeira professora do Brasil?

Mas foi só na metade do século XIX que algumas mulheres brasileiras tiveram condições de reivindicar seu direito à Educação. Em 1827, vieram as primeiras matrículas em estabelecimentos de ensino. E foi somente 52 anos depois, no ano de 1879, que nossas mulheres brasileiras puderam, enfim, cursar uma faculdade.

Em 1810, Nísia Floresta fundou, no Rio Grande do Norte, sua própria escola para ensinar às meninas, além de prendas domésticas, matemática e ciências. Maria Firmina dos Reis, autora de Úrsula, o primeiro trabalho literário crítico à escravidão no país, foi fundadora da primeira escola mista e gratuita do Maranhão, em 1880.

Já no século XX, em 1922, a professora Antonieta de Barros criou em Santa Catarina um curso para alfabetizar crianças socialmente vulneráveis. Eleita, em 1934, como a primeira deputada estadual negra do Brasil, foi a partir de um projeto de lei de sua autoria que o dia 15 de Outubro foi oficializado como o Dia do Professor.

Mas foi apenas no ano de 1982, ainda no regime militar, que uma mulher, a professora Esther de Figueiredo Ferraz, veio a assumir um ministério, não por acaso o Ministério da Educação e Cultura (MEC), no lugar de um general da ditadura. E se passaram outras três décadas até que, nos anos 2000, Débora Seabra, do Rio Grande do Norte, fosse reconhecida como a primeira educadora com Síndrome de Down no Brasil.

BRASÍLIA

Em 15 de outubro de 1957, foi inaugurada, na Candangolândia, a primeira escola de Brasília. Com projeto de Oscar Niemeyer, construída em madeira, sobre pilotis, em apenas 20 dias, a escola recebeu o nome de Grupo Escolar Júlia Kubitscheck, em homenagem à mãe do presidente JK, que também era professora.

Sob supervisão do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos, dirigido por Anísio Teixeira, a escola, que oferecia educação em tempo integral, teve como primeiras professoras: Amábile Andrade Gomes, Maria do Rosário Verner, Célia Cheir, Maria de Lourdes Moreira, Maria de Lourdes Cruvinel, Santa Alves Soyer, Carmen Daher e Ana Pereira Leal, que foram as primeiras educadoras do Distrito Federal.

Desde então, muitas mulheres educadoras continuaram fazendo história na Educação do Distrito Federal. Aprovada no primeiro concurso público para professora do Distrito Federal, em 1960, Martha Cintra fez parte da primeira diretoria do Sinpro-DF. Lutou contra a ditadura e pelos direitos da categoria. Faleceu em 20/07/2022, aos 84 anos.

Isabel Portuguez, diretora do Sinpro-DF, dedicou-se, durante toda sua carreira, a lutar em defesa de uma educação pública de qualidade e de políticas públicas de valorização da carreira do Magistério. Defensora incansável dos professores aposentados do Distrito Federal, é dela a frase “Inativo é quem não luta”, que até hoje nos move e nos motiva. Faleceu em 27/12/2015.

Também ex-diretora do Sinpro-DF e militante política, a professora Lúcia Ivanov, companheira fundamental nos processos de criação da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação) e da CUT (Central Única dos Trabalhadores), continua imprescindível em todas as lutas em defesa da Educação e da democracia no Brasil.

É em honra dessas grandes mulheres educadoras que nos inspiram no olhar da esperança de um país com uma educação libertadora que desejo a cada mulher e cada professora muita força e muita energia para seguir lutando porque, afinal, como nossas predecessoras, amar o mundo e mudar a sociedade é o que mais nos interessa, não é mesmo?

Rosilene Corrêa – Professora. Vice-Presidenta do PT/DF. Diretora da CNTE. Ex-Dirigente do Sinpro-DF. Conselheira da Revista Xapuri.Foto: Divulgação/ Igo Estrela/Metrópoles.

 
 
 
 
 
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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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