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“Nunca na História do Brasil um presidente foi tão amado” #LulaLivre

“Nunca na História do Brasil um presidente foi tão amado” #LulaLivre

Presidente Lula,

Nunca na história desse país houve presidente que eu amasse tanto! Falo como mulher nordestina que só lhe tem reconhecimento e respeito e admiração.

Lula, fui criada num lar onde se falava de política sempre. Meu pai, um radialista, era apaixonado pelo Brasil, e falava com paixão, amor e empolgação onde estivesse. Pai Danúbio, que defendia a democracia o tempo todo. Presidente Lula, cresci ouvindo sua revolução. Meu pai sempre mostrava sua luta, desde quando o senhor era sindicalista já era exemplo em minha casa.

Tenho plena consciência de que o senhor fez do Brasil um lugar melhor, mais justo e consequentemente com menos desigualdade social. Quero agradecer imensamente por todos os programas sociais feitos no seu governo.

Tenho certeza de que o senhor é inocente de todas as acusações. Tenho consciência de que o senhor é um preso político num país em que a justiça é partidária. A cada dia fica mais claro que deram o golpe na Dilma e o prenderam para impedi-lo de ganhar as eleições de 2018.

O mundo inteiro grita “Lula Livre”!

O mundo inteiro sabe que o senhor é inocente!

A justiça brasileira deveria ouvir a voz das ruas, ouvir o povo.

Eu e minha casa sempre seremos Lula!

Escrevi essa carta para dizer o quanto amo o senhor, para deixar esse livro de herança para minha filha Fernanda, e em memória de meu saudoso pai, Danúbio.

Um abraço, igual ao que lhe dei  em Salvador, durante a Caravana pelo Brasil.

de  Claudia Moreira de Carvalho

Fonte: As cartas que Lula não recebeu – Coletânea organizada por Cleusa SlavieroFernando Tolentino

 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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