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O golpe da República e o jogo dos dados

O golpe da República e o jogo dos dados

Nossa Opinião: O golpe da República e o jogo dos dados

Em 1893, a pedido dos cafeicultores paulistas, a elite emergente de então, Benedito Calixto pintou a “Proclamação da República”, uma obra que busca enaltecer um heroísmo dos militares, o apoio popular e que registra até fumaça saindo dos canhões. Fumaça que não existiu na cena real, pois a proclamação da República ocorreu sem um único disparo…

Um quadro, e não só este de Benedito Calixto, é uma representação. Um dado, ou conjunto de dados, aqui entendido como o “conhecimento que se tem sobre algo, usado para solucionar uma questão, fazer um julgamento, criar ou colocar em prática um pensamento, uma opinião; informação”.

Hoje, vivemos a era dos dados. Como disse a conselheira da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), Débora Sirotheau, em curso recente do Dieese, “vivemos numa sociedade movida a dados. Não há dado irrelevante, qualquer dado pode adquirir relevância e oferecer riscos ao cidadão… É preciso regular o uso para que a sociedade possa extrair benefícios”.

Lançado em 2019, o filme Privacidade Hackeada discute a importância dos dados e as razões pelos quais eles são fundamentais. O filme mostra o conluio entre o Facebook e a Cambridge Analítica na manipulação dos dados que favoreceu a eleição de Trump, em 2016, e a saída da Inglaterra da União Europeia – a campanha do Brexit.

Brittany Kaiser, peça chave dentro da Cambridge Analítica, denunciou os dois processos afirmando: “dados são os recursos mais valorizados da Terra”. De acordo com Brittany, a Cambridge se autodefinia como “uma agência de mudança de comportamento” e “o Santo Graal da comunicação é quando você começa a alterar o comportamento”. Um horror, não?

A Cambridge utilizou dados do Facebook para produzir um modelo no qual táticas de comunicação foram usadas como armas contra a população. Fornecemos os dados, eles os monetizam e os usam contra nós.

No Brasil, na eleição de 2018, o Whatsapp, que faz parte do Facebook, estava claramente implicado na divulgação de notícias mentirosas.

Na verdade, plataformas que deveriam nos conectar são usadas como armas. Alimentam o medo e o ódio para colocar o país contra si mesmo.

E como podemos nos defender? Temos que conhecer nossos direitos. Temos que ter cuidado para tomar decisões, não deixar as definições nas mãos dos algoritmos criados por Google, Facebook, Microsoft etc. No Brasil, nesse sentido, temos a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), Lei 13.709/2018. No próximo Nossa Opinião vamos conversar sobre ela.

Instituto Telecom, Terça-feira, 16 de novembro de 2021

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

DOAÇÃO - PIX: contato@xapuri.info

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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