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O medo de Sérgio Moro

O medo de Sérgio Moro

Por Pedro Breier

Este é um trecho da fala de Sérgio Moro em um patético vídeo divulgado na igualmente patética página do Facebook chamada “Eu MORO com ele”, criada por sua esposa.

Moro tenta demover os “apoiadores da Lava Jato” de irem à Curitiba contrapor-se aos apoiadores de Lula que já estão chegando à cidade paranaense.

Seria cômico, não fosse trágico.

A Lava Jato é uma operação de exceção. O próprio Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que julga os recursos contra as decisões de Moro, decidiu, em setembro do ano passado, que a operação não precisa seguir as regras dos casos comuns. A decisão, tomada por 13 votos a 1, afirmou que Moro não poderia ser censurado por divulgar áudios – grampeados ilegalmente – da presidente da República porque “as investigações e processos criminais da chamada operação ‘lava jato’ constituem caso inédito, trazem problemas inéditos e exigem soluções inéditas”.

Todo esse poder da Lava Jato só poderia ter sido concedido pela instituição mais poderosa do Brasil, a Globo, para que a operação servisse de combustível ultra aditivado à derrubada do governo petista.

O interesse da Globo caiu como uma luva na estratégia da dobradinha Moro/Ministério Público (ilegal e imoral, pois a separação entre juiz, acusação e defesa é requisito básico em um processo penal justo) de utilizar a mídia para angariar apoio na opinião pública deslegitimando lideranças políticas. Essa estratégia foi explicitada pelo próprio Sérgio Moro em artigo publicado em 2004.

Moro determina prisões “preventivas” que duram meses ou até anos, até que o preso aceite fazer uma delação premiada – falando o que a acusação e o juiz querem ouvir, obviamente.

Tudo isso é dito exaustivamente, desde o início da Lava Jato, por quem faz jornalismo de verdade no Brasil, a mídia alternativa.

Pois bem.

A proximidade da condenação de Lula (a previsibilidade do julgamento de Moro confirma inapelavelmente a sua imparcialidade) impeliu Gilmar Mendes a se tornar o grande articulador da Operação Estanca a Sangria: afinal, a Lava Jato não pode, de jeito nenhum, chegar perto dos inimputáveis tucanos.

 

O que Gilmar faz, então? Passa a criticar as aberrações jurídicas perpetradas em Curitiba, como se tivesse virado um leitor dos “blogs sujos”. Leiam este trecho de uma entrevista, publicada hoje pela Folha, com o político/ministro do STF:

Gilmar

A mais recente evidência de que a Lava Jato não é uma operação normal é o adiamento do depoimento de Lula, determinado pelo juiz Moro, para que nos dias seguintes passassem a pipocar depoimentos incriminando o ex-presidente. Todos sem indicar prova alguma, é claro.

Por tudo isso, o vídeo em que Moro afirma, candidamente, a normalidade do depoimento de Lula, é simplesmente patético.

Não há nada de “normal” na Lava Jato. Uma operação “normal”, em um país civilizado, não pode produzir reféns.

As próprias revistas alinhadas ao golpe não conseguem se conter e pintam o depoimento, em suas capas, como um duelo entre Moro e Lula, o mocinho e o vilão.

Moro divulgou o famigerado vídeo por um simples motivo: medo.

A culpa por uma carnificina em Curitiba iria recair, com toda a justiça, sobre seu colo.

Mas gravar vídeo para os seus apoiadores não adianta nada.

Sérgio Moro já garantiu seu lugar na história como um medíocre juiz parcial que, com sua atuação, ajudou a promover gigantescos retrocessos jurídicos e democráticos no nosso país.

Fonte: O Cafezinho

 

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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