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O que está por trás do olhar amoroso dos cachorros?

O que está por trás do olhar amoroso dos cachorros?

Cientistas acreditam ter entendido como os cachorros fazem para ganhar o afeto das pessoas: dois músculos situados em volta dos olhos os ajudam a ter um olhar triste, uma técnica dominada pelos bebês humanos.

Por AFP/Exame 

Os pesquisadores explicam que dissecaram cadáveres de cães domésticos e lobos selvagens, em um artigo publicado nesta segunda-feira na revista Proceedings of The National Academy of Sciences (Pnas).

Os autores comprovaram que os cachorros tinham esses dois músculos bem formados em volta dos olhos, diferentemente dos lobos. Ambos os animais separaram seus caminhos evolutivos há cerca de 33.000 anos.

Em outra parte da pesquisa, os cientistas filmaram interações de dois minutos entre cachorros e um humano que não conheciam, e depois entre lobos e uma pessoa. Somente os cães conseguiram mover o contorno dos olhos com intensidade ao olhar para os humanos.

“Isto os ajudou a aumentar os olhos, como os bebês fazem”, explica à AFP Anne Burrows, professora da Universidade Duquesne de Pittsburgh e coautora do estudo. “Isso provoca uma reação de proteção nas pessoas”.

Estudos similares foram publicados anteriormente, entre eles um realizado em 2015 por cientistas no Japão. Este mostrou que a troca de olhares entre os cachorros e seus donos provoca um pico mútuo de oxitocina, o chamado “hormônio do amor”. É a mesma coisa que acontece quando uma mãe e seu bebê se olham.

O estudo publicado nesta segunda analisou os casos de quatro lobos e seis cães domésticos. Seria necessário dissecar mais animais para confirmar os resultados, reconheceram os autores do trabalho

Fonte: Exame


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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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