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Orquídeas: Nada de Veneno, use Canela!

Orquídeas: nada de veneno, use canela!

Orquídeas: nada de veneno, use canela!

A canela é uma especiaria obtida a partir da casca interna de várias espécies de árvores do gênero Cinnamomum, da família Lauraceae, com largo uso na culinária desde sempre, seja em pratos doces ou salgados…

Por Lúcia Resende

A palavra “canela” deriva do latim cannella, diminutivo de canna (tubo, cano), isso porque as cascas, quando secas, se enrolam como tubinhos, a famosa canela “em pau”, lembra?

Suas propriedades são amplamente difundidas, seja como acelerador do metabolismo, seja como anticoagulante (por esta razão não pode haver consumo exagerado) ou antioxidante. Já diziam nossas avós: “canela queima gordura e é boa pro cérebro e pro coração”.

Mas o que minhas avós não me disseram – e aprendi muito mais tarde – é que canela é milagrosa no cultivo de orquídeas, prática que mantenho há quase três décadas.

Pois bem, quer ver suas orquídeas saudáveis, com floração contínua e vigorosa? Use canela! Além de estimular a floração, ela age como um poderoso bactericida e fungicida.

COMO USAR

  • A cada 15 dias, faça um chá, com 1 colher de sopa de canela moída e 2 litros de água. Deixe esfriar, coe e pulverize as orquídeas. Com duas ou três aplicações, a diferença será notável.
  • A cada 60 dias, espalhe sobre o substrato da orquídea um pouco de canela em pó (aproximadamente uma colher de café por vaso).
  • Se notar que uma planta está com alguma folha ou bulbo doente, corte e passe canela em pó diretamente no local do corte, deixando sem molhar por uns três dias.

Obs.:

  1. Pode acrescentar alguns cravos-da-índia ao chá, pois ele afastará as formigas!
  2. No inverno, aumente o intervalo, pois as plantas precisam descansar…
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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!


 

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