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Otelo Saraiva de Carvalho: Foi-se o cravo da festa, pá….

Otelo Saraiva de Carvalho: Foi-se o cravo da festa, pá….

Morre, aos 84 anos, Otelo Saraiva de Carvalho, líder da Revolução dos Cravos. O tenente-coronel foi um dos organizadores do movimento que derrubou a ditadura em Portugal…

Por Redação brasilpopular
 

Morreu neste domingo (25.jul.2021), em Portugal, o tenente-coronel Otelo Saraiva de Carvalho, um dos líderes da Revolução dos Cravos, de 25 de abril de 1974, que ajudou a encerrar a ditadura no país. Carvalho tinha 84 anos e estava no Hospital Militar de Lisboa. A causa da morte ainda não foi divulgada.

A Revolução dos Cravos foi organizada por cerca de 200 capitães e majores e visava o restabelecimento da democracia em Portugal, paralisada desde 1933 pelo Estado Novo de António de Oliveira Salazar, que governou o país até 1968 e depois passou o poder ao seu herdeiro, Marcello Caetano.

Otelo Saraiva de Carvalho foi o responsável pela elaboração do plano de operações no MFA (Movimento das Forças Armadas), movimento militar de esquerda que derrubou a ditadura de Salazar e Caetano.
O tenente-coronel nasceu em 31 de agosto de 1936 em Moçambique. Iniciou a carreira militar na década de 1960. Foi transferido para Angola, em 1961, como capitão de artilharia. Também esteve na guerra colonial na Guiné-Bissau, de 1970 a 1973.
Em 1976, concorreu à Presidência de Portugal, mas obteve 16% dos votos. Tentou o cargo novamente em 1980, mas conquistou só 1,5% dos votos.
Fonte: Jornal Brasil Popular, citando o site Poder  360.
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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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