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Pacto brasileiro pela restauração da Mata Atlântica é considerado referência pela ONU

Pacto brasileiro pela restauração da Mata Atlântica é considerado referência pela ONU

O Pnuma, Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, divulgou uma lista com 10 projetos de restauração de ecossistemas implementados mundo afora que considera referências nos trabalhos que fazem – e, além de ajudar na recuperação da biodiversidade global, têm potencial para direcionar outros países a fazer o mesmo.

Por Débora Spitzcovsky/The Green Post

Entre eles, está o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, firmado em 2009 por Brasil, Argentina e Paraguai, na intenção de promover esforços conjuntos para recuperar o bioma, reduzido a fragmentos por conta da exploração ilegal de madeira, do desmatamento, da expansão agrícola insustentável e do crescimento desenfreado dos centros urbanos, entre outros problemas.

O Pacto mantém uma série de iniciativas, das quais o Pnuma destacou quatro: os projetos de recuperação das populações de mico-leão-dourado e onça-pintada, atualmente ameaçados de extinção, a construção de corredores ecológicos para os animais transitarem sem riscos por áreas já invadidas pelo homem e uma iniciativa que visa tornar a Mata Altântica resiliente às mudanças climáticas.

Em 13 anos de atuação, o Pacto já garantiu a restauração de cerca de 700 mil hectares do bioma. A meta é de que, até 2030, 1 milhão de hectares sejam restaurados e, até 2050, 15 milhões.

Por ser agora considerado Referência de Restauração Mundial pelo Pnuma, a expectativa é de que o Pacto receba agora financiamentos e apoio técnico das Nações Unidas para ampliar ainda mais o impacto do seu trabalho.

Débora Spitzcovsky – Jornalista. Fonte: The Green Post. Este artigo não representa necessariamente a opinião da Revista Xapuri e é de responsabilidade da autora. 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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