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Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios é anunciado pelo governo

Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios é anunciado pelo governo

Primeira medida do pacto será a entrega de 270 unidades móveis para acolhimento e orientação às mulheres.

Por Mídia Ninja/Redação

No encerramento da 7ª edição da Marcha das Margaridas, realizada na quarta-feira (16), em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou a criação do Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, atendendo ao terceiro dos 13 eixos de reivindicação pautados pelas trabalhadoras do campo. As ações de governo serão coordenadas pelo Ministério das Mulheres, com o objetivo de prevenir as mortes violentas de mulheres.

A primeira medida do pacto, apresentada pela pasta das mulheres, será a entrega de 270 unidades móveis para atendimento direto de acolhimento e orientação às mulheres. Serão entregues 10 carros para deslocamento das equipes de atendimento e para transporte de equipamentos. O Ministério vai encaminhar a aquisição de barcos e lanchas para as mulheres das florestas, das águas e do .

O Pacto conta com um comitê gestor que, além do Ministério das Mulheres, conta com os ministérios da Igualdade Racial; ; dos e da ; da Justiça e ; da Saúde; da ; do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome; de Gestão e Inovação em Serviços Públicos; do Planejamento e Orçamento; e Casa Civil da Presidência da República.

Durante a Marcha, o governo anunciou outras medidas que vão ao encontro das reivindicações das trabalhadoras rurais, como a criação do Fórum Nacional Permanente de Enfrentamento à contra as Mulheres do Campo, da Floresta e das Águas e o Fórum para a Promoção de Estratégias de Fortalecimento de de autonomia econômica e cuidado com mulheres da pesca, aquicultura artesanal, marisqueiras e outras trabalhadoras das águas.

Uma parceria firmada com os Correios garante às mulheres o envio de cartas ao canal de denúncias Ouvidoria Mulheres sem custo de remessa.

Com informações da Agência .

Fonte: Mídia Ninja. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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