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Países do G7 isolam Trump das questões climáticas

Países do G7 isolam Trump das questões climáticas – 

O encontro do G7 terminou com uma clara divisão sobre a questão climática.  Contrariando a tradição de diluir diferenças internas na linguagem diplomática, desta vez o comunicado oficial deixa explícita a oposição entre os Estados Unidos – que ainda não decidiram se continuarão ou não no – e os demais integrantes do grupo.

À luz da dura política do G7, observadores sugerem que este é um resultado positivo, já que o surgimento de um “G6” climático, liderado pela Europa, é uma clara demonstração do profundo compromisso com o Acordo de Paris.

Heather Coleman, Diretora de Clima e Energia da Oxfam América, destaca que “O forte apoio à ação climática e ao Acordo de Paris por parte dos outros líderes do G7 diante da indecisão dos EUA sinaliza que os custos de retrocesso no clima são maiores do que os custos de enfrentar a agenda obstrucionista do Presidente Trump”.

“Os países mais ricos mostraram hoje que nem mesmo os Estados Unidos podem impedir o mundo de fazer a transição completa para a descarbonização”, destaca Carlos Rittl, secretário-executivo do .

“Os retardatários, como a América de Trump e o , que estão tentando se esquivar de seus compromissos, ficarão politicamente isolados e perderão competitividade econômica. Ironicamente, a famosa declaração de Trump sobre o sendo uma falácia concebida para prejudicar a indústria americana tornou-se uma profecia, mas aplicada à inércia climática”, completa.

Observadores também destacaram como a liderança não é apenas proveniente de governos, mas de um amplo espectro de atores – que vai do Papa, que aproveitou a visita do presidente norte-americano para lhe entregar a encíclica Laudato Si, que, entre outros pontos, alerta para os riscos das a presidentes de grandes grupos empresariais.

Ou seja, o resultado do G7 comprova também que o Presidente Trump está cada vez mais isolado em sua indecisão sobre a necessidade urgente de combater o aquecimento global.  “O resultado hoje no G7 mostra que Trump está sozinho como um presidente que nega o clima.

Mesmo diante dos apelos dos maiores aliados dos Estados Unidos, do Papa, de milhares de vozes corporativas, CEOs e investidores que representam mais de US$ 17 trilhões em ativos, o presidente ainda não conseguiu se afastar do domínio da indústria de combustíveis fósseis”, avalia Heather.

Stephanie Pfeifer, CEO do Grupo de Investidores Institucionais sobre Mudanças Climáticas (IIGCC), representando 135 investidores com mais de 18 trilhões de euros em ativos, avalia que “O presidente Trump está equivocado em sua relutância em apoiar o Acordo de Paris.

Este pacto foi uma conquista importante e seu objetivo de manter o aquecimento global a menos de 1,5 C é crucial. Daqui para a frente é fundamental que os EUA mantenham sua ambição e seus esforços para reduzir suas emissões e reconheçam que se afastar da dependência dos combustíveis fósseis é inevitável e irreversível.

Diante da ciência e dos crescentes riscos decorrentes dos impactos das mudanças climáticas, investidores de todo o mundo querem que todos os governos busquem uma ação climática inequívoca o suficiente para proporcionar o ritmo e a escala de investimento necessários para conduzir a adaptação e permitir uma transição rápida e suave para uma economia sustentável e dinâmica de baixo ”, alerta.

Para Iain Keith, Diretor de Campanhas da Avaaz, “Hoje, os líderes do G6 colocam nosso planeta em primeiro lugar, mostrando que nem mesmo o presidente dos EUA pode parar a inevitável revolução da energia limpa. As tentativas de Trump de tirar dos trilhos a ação global sobre clima não farão com que a América se torne grande – apenas a deixarão atrasada em relação ao resto do mundo”.

Sherri Goodman, ex-Subsecretária de Defesa dos Estados Unidos e Senior Fellow do Wilson Center, também fez uma avaliação positiva do resultado do encontro:  “A implementação do Acordo de Paris é um pilar fundamental da segurança global. Já estamos enfrentando os impactos desestabilizadores das mudanças climáticas. É por isso que o forte sinal do G6 hoje para permanecer comprometido com a colaboração internacional em ações e soluções climáticas é tão importante “.

O próximo grande encontro de líderes globais será o G20 – que, este ano, é presidido pela Alemanha. Na opinião de especialistas, a tendência é que outros chefes de governo se juntem à posição da União Europeia e China na defesa, implementação e avanço do Acordo de Paris.

“Europa, Canadá e Japão marcaram posição, expondo mais uma vez quão distante Trump está do resto do mundo sobre as mudanças climáticas”, destaca Jennifer Morgan, Diretora Executiva do Greenpeace Internacional.  “O resultado do G7 confirma que a migração para fontes limpas de energia não pode mais ser detida e é apoiada não só pelos governos, mas pela sociedade em geral. Os líderes devem agora manter a resolução e garantir que o G20 sinalize ainda mais ambição climática. O presidente Trump deve agora voltar a Washington e tomar a decisão certa, levando a sério as mudanças climáticas e agindo com o resto do mundo, completa”.

g7.italy .it

Foto: g7.italy.it

ANOTE AÍ:

Esta matéria nos foi gentilmente cedida pela Aviv Comunicação (www.aviv.comunicacao.com.br), que fornece também os contatos para quem quiser se aprofundar mais no assunto:

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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