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O mundo fantástico dos paleontólogo

O mundo fantástico dos paleontólogos da Antiguidade

Eles procuravam fósseis de divindades, heróis da mitologia, dragões, minotauros… E “encontraram”

Por Álvaro Oppermann – aventurasnahistoria

É irônico que os homens da Antiguidade desdenhassem do historiador grego Heródoto (484-425 a.C.). Considerado hoje em dia o “pai da História”, ele era chamado pelos antigos de “pai da Mentira”. Diante dos seus causos, que enchem as páginas da obra clássica Histórias, os gregos (e depois deles os romanos) recomendavam uma boa dose de cautela.

Um dos seus relatos mais enigmáticos foi a respeito dos grifos – monstrengos alados de quatro patas, com corpo de leão e bico de ave de rapina -, que constava do Livro 4 de Histórias. Na Cítia, região de estepes na Eurásia, uma terra agreste e perigosa que se estendia da cordilheira do Cáucaso (que separa atualmente a Rússia da Geórgia e Azerbaijão) ao Oriente, eles atacavam e desmembravam cavalos, cervos e seres humanos.

Como numa gangue, os grifos vagavam em bandos ou aos pares. Heródoto acreditava piamente na existência dos bichões, mas nunca cruzou com um espécime de carne e osso. Acreditava, contudo, ter descoberto ossadas do bicho numa expedição feita até a parte ocidental da Cítia, junto ao mar Negro.

Mitos jurássicos

Esse causo faz parte de um dos capítulos mais obscuros da Antiguidade: a incipiente paleontologia. Promovendo escavações ao longo do Mediterrâneo, da Grécia à África do Norte, passando pela Ásia Menor (atual Turquia) e chegando até a Índia, os gregos e romanos foram pioneiros na caçada de ossos antigos.

Diferentemente dos paleontólogos de hoje, eles não estavam atrás de dinossauros, mas de criaturas fantásticas, como grifos, centauros, sátiros, nereides e ciclopes. E também dos esqueletos dos heróis da mitologia, como os de Ájax, Teseu e Orestes.

Heródoto, chamado antigamente de "pai da Mentira"
Wikimedia Commons 
 

Adrienne Mayor, pesquisadora em paleontologia da Universidade de Stanford, na Califórnia, nos Estados Unidos, investiu quatro anos numa pesquisa que desenterrou esse passado.

“Os antigos colecionavam e mediam ossos de criaturas extintas. As interpretações que deram aos achados foram imaginativas”, diz ela em The First Fossil Hunters (Os Primeiros Caçadores de Fósseis, sem tradução em português). No livro, Adrienne cobre mais de mil anos de descobertas paleontológicas, de 650 a.C. a 500 d.C.

O primeiro registro da paleontologia é de certo Aristeas, nascido em Proconeso, na Ásia Menor, no século 7 a.C. Por volta de de 675 a.C., ele – que era um misto de poeta, andarilho, aventureiro e bruxo milagreiro – fez uma expedição à região do Cáucaso, até Mongólia. Pelo caminho, mostraram-lhe diversos esqueletos de grifos e centauros.

No século 1 d.C., o geógrafo e viajante grego Pausânias identificou na Arcádia, região central da península do Peloponeso, na Grécia, o sítio da suposta Titanomaquia – a guerra mítica travada entre futuros deuses olímpicos e seus tios, os Titãs. Para o geógrafo, as gigantescas ossadas encontradas eram a prova material da guerra.

Cabeção

O maior objeto de desejo dos aventureiros gregos eram os restos mortais de heróis da mitologia. Os ossos tidos como do herói Orestes foram identificados em Corinto, por volta de 560 a.C. Já em 476 a.C., o general ateniense Químon transformou em missão pessoal descobrir o paradeiro dos ossos de Teseu.

Depois de muito encontrar pistas falsas nas diversas regiões da Grécia e da Ásia Menor, Químon achou ter encontrado o túmulo do personagem mitológico Teseu na ilha de Esquiro. O único problema: os moradores locais se negaram a ceder-lhe o precioso talismã.

Teseus lutando contra o Minotauro, escultura por Étienne-Jules Ramey,1826
Wikimedia Commons
Químon cercou a ilha com sua frota. Acabou por demover o chefe local, que lhe entregou os supostos restos do herói. “O mais provável é que o general tenha redescoberto ossos de animais pré-históricos”, diz Adrienne. Esquiro é até hoje um sítio paleontológico do Pleistoceno (de 2,6 milhões a 11,7 mil anos atrás).

Em 165 d.C., no Helesponto (atual estreito de Dardanelos, próximo a Istambul), o aventureiro Líquias descobriu o esqueleto de Ájax, herói da Guerra de Troia. A notícia correu o mundo antigo. Em Roma, o filósofo sofista Filóstrato, o Ateniense, visitou a suposta ossada e descreveu o que viu no seu tratado Sobre os Heróis. O esqueleto do corpulento herói tinha 5,50 m de comprimento. “O crânio tinha volume de duas ânforas de vinho”, exclamou Filóstrato.

Segundo os paleontólogos Adrian Lister e William Sanders, da Universidade de Stanford, consultados pela autora, o crânio visto por Filóstrato era provavelmente de um extinto mastodonte – que, quando adulto, tem até 70 litros de volume.

Crentes e céticos

O entusiasmo com as ossadas não era compartilhado por todos. No século 4 a.C., Aristóteles afirmava que as descobertas de esqueletos de criaturas fantásticas, como centauros e sátiros, eram necessariamente falsas. Afinal, espécies mistas eram biologicamente e ontologicamente impossíveis – contrariavam as regras da natureza. Em Roma, no século 1 a.C., ele foi endossado pelo filósofo epicurista Lucrécio, autor de De Rerum Natura (Sobre a Natureza das Coisas).

Um dos grandes entusiastas da caça aos ossos foi o imperador Tibério, que governou entre 14 e 37 d.C. Irascível e dado à melancolia, Tibério só voltava ao bom humor com uma discussão sobre as ossadas descobertas em seu império. Segundo o historiador Plínio, o Velho, uma delegação de naturalistas, a mando de Tibério, foi enviada a Olísipo (atual Lisboa) para averiguar a veracidade da descoberta, em uma caverna, do cadáver de um tritão (uma sereia macho).

Fonte: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/o-mundo-dos-paleontologos.phtml

https://xapuri.info/hefestio-o-namorado-de-alendre-o-grande/

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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