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CANJICA

Para aquecer no inverno: Canjica!

Para aquecer no inverno: Canjica!

Aqui no Centro-Oeste, no Sul e Sudeste, chamamos canjica ou canjicada o munguzá ou mungunzá do Nordeste. Há ainda outras denominações como no Pará, onde a iguaria é conhecida como mingau de milho branco. Mas o estranhamento maior pra quem é daqui pode ser no Nordeste, onde canjica é o que conhecemos como curau, ou mingau de milho verde, outra delícia de que falaremos noutra oportunidade.

Por Lúcia Resende/Xapuri


Assim como variam as denominações, varia muito também o jeito de fazer, pois o milho grosseiramente quebrado depois de cozido pode receber o acréscimo de ingredientes vários, desde leite comum, leite de coco ou de castanha, amendoim, açúcar, rapadura até os temperos finais, cravo, canela, casquinha de laranja, cardamomo ou outros aromatizantes, conforme o paladar e a região.

Sem contar que em algumas casas a preferência é pelo milho cozido só com água mesmo e misturado com açúcar já na caneca, sem nenhum outro acréscimo. Por vezes, também o leite, mas não sempre. Esse era o costume na minha casa, no Triângulo Mineiro, que até hoje mantenho. Ao preparar a canjica, tiro logo um pouquinho do milho cozido e saboreio com uma colherada de açúcar, entremeando as lembranças da minha mãe à beira do fogão a lenha, sempre com uma história ou poema para nos encantar!

Mas a receita que trago aqui aprendi mesmo foi aqui em Goiás, com minha sogra, dona Terezinha Resende, cozinheira de mão cheia, sabida que só. Com poucos ingredientes, tudo na medida certa, mas sem muita invenção, ela era dessas rainhas do reino das delicitudes. Pois foi casa dela que comi a canjicada pela primeira vez há mais de quatro décadas. Depois disso, adotei esse modo de fazer simples e irresistível ao paladar, ainda que mais exigente. Ah, aqui em casa há quem goste também dela bem gelada…

Ingredientes

1 pacote de canjica

Água o quanto baste para cozinhar bem o milho

200 gramas de amendoim torrado, descascado e grosseiramente triturado

2 litros de leite

1 xícara de rapadura raspada ou açúcar mascavo

2 1/2 xícaras de açúcar (ou mais, se preferir mais doce).

4 a 5 cravos-da-índia

3 a 4 paus de canela

Canela em pó para polvilhar

1 colher de chá rasa de sal

Modo de fazer

Lave o milho, deixe de molho por algumas horas e depois cozinhe até ficar macio. Enquanto cozinha, torre o amendoim, descasque, coloque no liquidificador e triture grosseiramente, de modo que alguns grãos permaneçam quase inteiros. Reserve. Numa panela, caramelize 1 xícara de açúcar e despois acrescente o leite, aos poucos. Junte o cravo, a canela, o açúcar restante, a rapadura, o sal e o milho cozido. Daí, é só deixar ferver bastante, até engrossar, acrescentar o amendoim, deixando ferver mais um pouco. Por último, prove, para conferir o tempero e sirva bem quentinha, polvilhada com canela. É uma delícia, pode apostar!

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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