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Parlamentares negras lideram a construção do Estatuto de Igualdade Racial de MG

O objetivo é mapear os marcos normativos antirracistas na legislação estadual e ampliar o debate público sobre a temática.

Por Mídia Ninja/Redação

De iniciativa das deputadas Ana Paula Siqueira (Rede), Andréia de Jesus (PT), Macaé Evaristo (PT), Dandara Tonantzin (PT) e da 1ª vice-presidenta da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Leninha (PT) será lançada nesta terça-feira (30) uma agenda de diálogos para a construção do Estatuto da Igualdade Racial Mineiro na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

O objetivo desta agenda é mapear os marcos normativos antirracistas presentes na legislação estadual e ampliar o debate público sobre a temática racial e sobre políticas públicas de combate ao racismo.

Na segunda-feira (29), lideranças de movimentos sociais, vereadores e deputados do PT, PSOL, Rede e PSB se reuniram para avançar na construção de uma Rede de Parlamentares Negras e Negros em Minas da Frente Ampla Democrática que irá dar respaldo ao Estatuto.

A agenda por um estatuto em Minas Gerais está prevista para o período de um ano e a proposta é a realização de um amplo debate com o objetivo de colher sugestões para o documento. As parlamentares também pretendem realizar audiências públicas nas comissões relacionadas aos eixos do estatuto, além de visitas técnicas.

“Estamos juntos e juntas na construção de uma agenda legislativa antirracista no nosso estado. Os avanços que conquistamos até aqui são fruto da luta, seguimos firmes até que nosso povo tenha direito à cidadania plena. Nada de nós, sem nós!”, declarou a deputada Macaé Evaristo.

A deputada federal Dandara também se manifestou em apoio à iniciativa. “Estou honrada de estar ao lado de Leninha, Andreia de Jesus, Ana Paula e Macaé para reproduzir aqui no estado o trabalho realizado nacionalmente. Lutar pelo Estatuto da Igualdade Racial mineiro é lutar por uma Minas Gerais a altura do seu povo.”

Fonte: Mídia Ninja. Foto: Equipe Macaé Evaristo. Este artigo não representa a opinião da Revista e é de responsabilidade do autor.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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