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PEC 241/55: Essa PEC é um pecado contra o povo brasileiro

PEC 241/55: Viva o Brasil – Abaixo a Corrupção!

Essa Pec é um pecado
Contra o povo brasileiro
Congela nosso salário
Entrega pro estrangeiro
O Brasil está parado
À mercê de trambiqueiro

Não querem saber de gente
De saúde e educação
Para o povo só novela
Carestia e inflação
A ladroagem continua
Reina a corrupção

Nos disseram que tudo
Logo iria melhorar
É o conto do vigário
Tudo fez foi piorar
Só se vê picaretagem
E ladrão a comandar

Cadê o investimento?
O projeto de nação?!
Sofre o jovem sem escola
O Brasil na contramão
Num sistema salafrário
Desmando e corrupção

Dinheiro para o FMI
Esse não pode faltar
Tem recurso para a mídia
Para a mente controlar
O nosso povo a sofrer
O desgoverno a comandar

Tripudiam nossa gente
O povo é enganado
Levou um soco na cara
E no queixo um cruzado
Nhenhénhém e blábláblá
Na eterna vida de gado

Tem aumento de impostos
Da taxa de inflação
Tudo sobe todo dia
Sobe o arroz com feijão
Nosso povo na esmola
Sofre com a corrupção

Entregam nosso petróleo
E a riqueza mineral
Privatizam a riqueza
Doam o nosso pré-sal
A miséria só aumenta
Cresce a fila no hospital

Acorda jovem estudante
Operário e professor
Camponês e artesão
Metalúrgico e escritor
Vamos todos nos unir
Pra derrotar o opressor

Chega de politicagem
De um sistema desigual
Onde poucos vivem bem
E nosso povo vive mal
Vamos repartir a renda
Com a vida mais igual…

senado-12-senado-leg-br

foto: 12.senado.leg.br

ANOTE AÍ:

Gustavo Dourado é  professor, escritor, poeta, cordelista. Gustavo é também presidente a Academia Taguatinense de Letras – ATL. Parceiro de sonhos e lutas, nosso cordelista gentilmente cedeu espaço no estande da ATL para a apresentação e distribuição da revista Xapuri xapuri.info durante todo o período da III Bienal do Livro e da Leitura em Brasília. Ao Gustavo e à ATL, nossa gratidão.

gustavo_dourado-dzai-com-br

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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